Lula transforma evento sobre os 25 anos da Constituição em ato pró-PT

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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Em discurso de 30 minutos, Lula destinou metade do tempo para falar de projetos do governo, como a criação do programa Fome Zero e a ampliação do Bolsa Família

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou um evento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de comemoração aos 25 anos da Constituição Federal em um ato de promoção ao PT na manhã desta terça-feira. Durante o evento, Lula disse que a governabilidade se faz por meio da promoção da igualdade social, combate à miséria e melhoria das condições de vida da população.

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Durante o evento, Lula lembrou que o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) criticou a Constituição Federal classificando-a como “ingovernável” por causa de seus aspectos liberais e depois citou o ex-deputado federal Ulysses Guimarães, que teria classificado como fatores de ingovernabilidade a “pobreza” e a “miséria”.

Agência Brasil
Lula e o presidente da OAB em evento sobre os 25 anos da Constituição

“Ao longo dos oito anos em que fui o presidente do Brasil, sob a égide da Constituição que ajudamos a escrever, minha tarefa cotidiana foi transformar em ações concretas os direitos nela estabelecidos. Essa tarefa segue no governo da presidenta Dilma Rousseff. Ela também acredita que a governabilidade está na promoção do desenvolvimento sustentável, com inclusão social e combate à desigualdade social e à injustiça”, disse o ex-presidente no evento.

Em um discurso de aproximadamente 30 minutos, Lula destinou metade do tempo para falar de alguns projetos do governo quando era presidente, como a criação do programa Fome Zero; a ampliação do Bolsa Família; a ampliação do acesso ao microcrédito; o estímulo à agricultura brasileira; a criação de 20 milhões de empregos em 10 anos e a retirada de 36 milhões de pessoas da extrema pobreza.

Lula ainda citou como fatores de cumprimento da Constituição Federal a implementação de cotas nas universidades públicas, inclusão da história da África nas escolas e até a implementação da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), entidade criada, segundo Lula, “ao dessabor dos norte-americanos”.

“O conceito de democracia foi ampliado para além do aspecto meramente formal. A Constituição estabeleceu uma sociedade de múltiplos direitos e direitos universais que devem ser promovidos pelo Estado”, defendeu. “Lamentavelmente, a anistia de 78 não alcançou em vida Juscelino Kubitschek e João Goulart. Mas devolveu ao convívio político líderes como Leonel Brizola e Miguel Arraes e uma jovem combativa chamada Dilma Rousseff dentre outros que estavam cassados ou exilados”.

Por fim, o ex-presidente reconheceu que o Brasil vive uma crise de representatividade e que os protestos ocorridos em junho demonstraram a necessidade de se rediscutir o processo político no Brasil. “Essa é uma pauta dos dias atuais: restabelecer a atividade política como um valor para a sociedade. Os sintomas da fragilidade da representação são claros, mas o remédio para isso está no fortalecimento da política e não na sua negação”, disse o ex-presidente.

“A juventude de hoje não será melhor do que a de ontem se não conhecer a história, as coisas boas e as mazelas que aconteceram . E a Constituinte foi uma das coisas boas que aconteceram”, defendeu.

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