Presidente do STF diz que falta no Brasil um mecanismo para que o juiz possa ascender na carreira sem precisar 'sair com um pires na mão'

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou nesta segunda-feira (30) a falta de um mecanismo no País que possibilite ao juiz ascender na carreira sem precisar “sair com um pires na mão”, ou seja, se submeter à influência das indicações políticas.

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“É um fenômeno muito pernicioso a influência política. Não há mecanismos que criem um automatismo. (...) Deixa o juiz em paz”, disse Barbosa em seminário promovido pela revista Exame, em São Paulo. O ministro disse ainda que “só não aplica a lei o juiz que é medroso, comprometido ou politicamente engajado”.

Em evento em SP, Barbosa disse desconfiar de um juiz que “vive tendo relações políticas aqui e ali”
Gabriela Bilo/Futura Press
Em evento em SP, Barbosa disse desconfiar de um juiz que “vive tendo relações políticas aqui e ali”


Ainda sobre a independência dos juízes, Barbosa disse desconfiar de um juiz que “vive tendo relações políticas aqui e ali”. “Mas infelizmente nosso sistema permite isso. Você jamais vai querer ter o seu patrimônio e sua vida nas mãos de um juiz com essas características”, afirmou o presidente do Supremo.

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A jornalistas, Barbosa se recusou a comentar a declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Em entrevista ao Correio Braziliense, Lula afirmou que se fosse hoje, teria mais critério para selecionar ministros do STF. “Ele foi presidente da República, eu não sou presidente da República e não tenho nenhum papel na escolha dos ministros do Supremo”. Barbosa foi um dos quatro ministros indicados por Lula.

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