PT vai atacar base de Alckmin, diz favorito a assumir comando do partido em SP

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

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'O que de novo tem a oferecer quem fez São Paulo andar tão devagar?', questiona Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco, que deve coordenar campanha de Padilha

Com apoio das principais correntes internas do PT, desde Construindo um Novo Brasil (CNB) até a Mensagem, e principalmente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza é o virtual futuro presidente do diretório estadual do PT em São Paulo. O cargo significa vaga certa na coordenação da campanha ao governo do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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Em entrevista ao iG no seu escritório político, em São Paulo, Emídio revelou o foco da estratégia petista para quebrar os quase 20 anos de hegemonia tucana no maior colégio eleitoral do Brasil é atacar as bases do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição.

Divulgação/Facebook
'A verdade é que o Alckmin é um governador que pensa pequeno', ataca Emídio

Segundo Emídio, o PT vai intensificar a presença no interior, onde Alckmin teve suas maiores votações. A ideia é reforçar a propaganda das ações do governo federal no interior já que, de acordo com ele, a comunicação foi falha nesta região. A campanha de Padilha também vai investir no possível descontentamento de partidos da base do governador diante da exigência do PSB de ocupar a vice do tucano. O terceiro pilar da estratégia será mostrar Alckmin como um político pouco atuante diante da ousadia de Padilha.

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Leia os principais trechos da entrevista:

iG - Como o senhor conseguiu essa aliança tão ampla que inclui até a Mensagem?

Emídio de Souza – Sempre fui uma pessoa com trânsito em todas as correntes. Sou do CNB, mas acho que o PT é maior do que as correntes. Além disso, não vou disputar nenhum cargo eleitoral e quero ser puramente presidente do PT. E também pesou o apoio do presidente Lula.

iG – Quais as prioridades do PT de São Paulo para os próximos anos?

ES – No topo da lista está a reeleição da presidenta Dilma e a conquista do governo de São Paulo. Para isso, vamos precisar trabalhar algumas coisas no PT como a revitalização das instâncias partidárias, dos diretórios e da nossa presença no interior do Estado, principalmente nas pequenas e médias cidades.

iG – Quais as bases deste discurso?

ES - Em primeiro lugar a falta de planejamento. Não existem políticas sociais em São Paulo que tenham avançado no ritmo do resto do Brasil. Temos um baixíssimo investimento em transporte metropolitano. O PSDB foi incapaz de construir dois quilômetros de metrô por ano. A educação de São Paulo caiu de qualidade e os programas não tiveram continuidade nem nas gestões deles. O Alckmin criou escola da família e curso de inglês, o Serra acabou com aquilo e os cursos nunca mais foram retomados. Mais do que isso, além de nunca formularem políticas conjuntas com o governo federal, eles disputam. Onde criamos o Minha Casa Minha Vida eles criam a Casa Paulista, por exemplo. É por isso que São Saulo, que sempre puxou o Brasil, hoje é puxado pelo Brasil. Boa parte dos empregos foi criada graças ao governo federal. Isso foi criando um ambiente em que os paulistas perceberam que aquilo que está a cargo do governo do Estado como as áreas de saúde, segurança e habitação não está de acordo com a pujança de São Paulo.

iG – O PT vai explorar as lacunas destes 20 anos de governo do PSDB?

ES – Claro. A dita competência deles não resiste a uma análise. Como você fala de competência de quem não constrói nem dois quilômetros de metrô por ano, de quem não consegue tirar um ferroanel do papel há 20 anos, de quem não consegue fazer cair os índices de segurança em lugar nenhum? Se compararmos os dados de segurança de 10 anos atrás o Rio de Janeiro era o pior Estado, mas apesar dos problemas o Rio teve criatividade, ousadia, e conseguiu melhorar a situação. Pode-se criticar, mas eles criaram uma política de enfrentamento do crime organizado. O que São Paulo fez nesta área? Eles não conseguem controlar nem os celulares dentro das cadeias.

iG - A estratégia é reforçar os feitos do governo federal em São Paulo?

ES – Sim. Vamos divulgar muito. Vamos falar o que São Paulo é capaz de ganhar se caminhar junto como Brasil.

iG – Faltou uma comunicação melhor do governo federal em São Paulo?

ES – Precisa mostrar mais, principalmente no interior. As regiões metropolitanas conseguem perceber melhor porque há mais fluxo de informações.

iG – Alckmin é muito forte no interior. O PT vai atacar as bases dele?

ES - A verdade é que o Alckmin é um governador que pensa pequeno. É o governador do cafezinho na padaria, do tapinha nas costas. Ele não é o governador da solução. Ele não está à altura da ousadia que São Paulo precisa. Nestes 20 anos de governo, ele não ficou fora em nenhum momento. A pergunta que se faz é a seguinte: o que de novo tem a oferecer quem fez São Paulo andar tão devagar? Ele se comporta com muito medo em relação ao crime organizado e como um leão diante dos movimentos sociais. É só ver o que a PM fez no Pinheirinho e nas manifestações do dia 13 de junho. O Alckmin não assume nada. Quando tem crise na segurança pública ele fala que o problema é do governo federal. Quando tem crise nos transportes ele fala que o problema é da prefeitura. Qual é o papel do Estado então?

iG – O PT retomou o governo da capital no ano passado e o senhor já falou sobre a necessidade de reforçar o partido nas pequenas cidades. O PT avalia que a eleição será decidida no interior?

ES – A conquista da capital, do cinturão da Grande São Paulo e o fato de o PT governar hoje 45% dos paulistas mostra a força do partido apesar de tudo o que se fez contra o PT nos últimos anos. O interior é um desafio que vamos ter que compreender melhor e a minha atuação será muito mais voltada para esta parte do Estado. Não acho que o interior é conservador por si, mas que os moradores precisam conhecer melhor o que é o PT. Eles precisam saber que a escola técnica foi feita pelo PT, que o Luz para Todos chegou graças ao governo do PT, que o estaleiro de Araçatuba e que o alcoolduto que vai até Santos são do PT etc. Então está faltando mais diálogo e presença nossa no interior.

iG – Com quais partidos o PT tem conversado para formar a aliança de apoio a Padilha tendo em vista que PMDB e PSD podem ter candidatos próprios e o PSB deve apoiar Alckmin?

ES – Já estamos conversando com os partidos. O foco da nossa aliança são as siglas da base da Dilma. Alguns deles têm a pretensão de lançar candidato e nós respeitamos. São os casos do PMDB, PSD e PDT, mas ainda assim estamos conversando com estes partidos e com outros como PR, PRB, PC do B. Vamos formar uma aliança a mais ampla possível. Até junho tudo é possível, mas não vejo uma catástrofe caso eles lancem candidatos.

iG – A ideia é fazer um pacto com vistas para o segundo turno?

ES – Aliados não se atacam. O foco da nossa campanha é a falência do PSDB, a decadência dos últimos 20 anos. O foco vai ser o esgotamento do Alckmin e do PSDB. Não tem outra coisa a ser dita.

iG – E o PSB?

ES – É natural. O Eduardo Campos está buscando o caminho dele. Vamos continuar insistindo no diálogo. Não faz o Eduardo pela história dele, pela história do avô dele ter qualquer aliança com Aécio Neves. A nós cabe manter a família unida.

iG – Mas em São Paulo existe algum diálogo com o PSB?

ES – Em São Paulo, o PSB sempre teve proximidade maior com Alckmin, mas isso não os impediu de apoiar o Fernando Haddad e participar da Prefeitura de São Paulo.

iG – O apoio ao Haddad foi negociado por cima e definido pelo próprio Eduardo Campos. O PSB de São Paulo era contra.

ES – A situação do PSB depende muito do caminho que o Eduardo trilhar. Se conseguir consolidar a candidatura nacional vai ficar muito difícil, mas se lá na frente ele se reaproximar do PT, Dilma e Lula, é possível que ele reintervenha em São Paulo. Além disso, se Alckmin der a vice ao PSB, o que parece ser uma exigência, outros partidos da base do Alckmin podem se rebelar. Então temos muito jogo pela frente.

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