Pomar acusa PT de falta de interesse em apurar denúncia em eleição interna

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo dirigente petista, os pagamentos coletivos irregulares reduzem as chances das correntes minoritárias na disputa e colocam em xeque a democracia interna

Em texto publicado na última terça-feira em seu blog, o dirigente petista Valter Pomar diz que a suposta falta de interesse da direção partidária em sanar as irregularidades pode comprometer todo o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT. Líder da corrente interna Articulação de Esquerda, Pomar é secretário-geral do Foro de São Paulo, integrante do diretório nacional do PT há mais de 10 anos e candidato a presidente nacional do partido.

Leia mais: Críticas ao PMDB e ao novo 'Campo Majoritário' marcam debate 

Rompimento: Desejo é por candidatura própria, diz Eduardo Campos

Leia mais: Cúpula do PT vai avaliar entrega de cargos em governos do PSB

Segundo o texto, integrantes da Câmara de Recursos - instância responsável por julgar entre outras coisas as irregularidades no cadastro de filiados aptos a votar no PED - disseram na última reunião que a possível apreciação de recursos sobre pagamentos coletivos de contribuições partidárias (proibidos pelos estatuto petista) nos diretórios de Belo Horizonte (MG), Colatina (ES), Campo Grande (MS), Linhares (ES) e Poté (MG) poderia ter o efeito de uma bola de neve.

Divulgação PT Nacional
PT realiza debates, transmitidos online, entre os candidatos à presidência nacional do partido

“Afinal, como alguns de vocês (integrantes da Câmara de Recursos) disseram e reconheceram, o descumprimento das regras é maior do que os casos objeto de recurso havendo o risco da aprovação de um recurso abrir uma reação em cadeia”, diz o texto intitulado “Exceto, é claro, os mortos”, uma referência irônica ao fato de que em algumas cidades filiados mortos “pagaram” a contribuição partidária.

Conforme Pomar, o número de casos suspeitos levantados nas cinco cidades citadas no recurso é de aproximadamente 24 mil, ou 3% dos mais de 800 mil aptos a votar. Segundo ele, é “evidente que parte expressiva dos 800 mil ‘habilitados’ foram habilitados por terceiros”, ou seja, tiveram suas contribuições pagas irregularmente por dirigentes ou chapas.

Ele também levanta dúvidas sobre a origem do dinheiro usado para fazer os pagamentos coletivos, embora não tenha formalizado recurso a respeito. “Não sabemos ao certo qual o tamanho do pagamento coletivo disfarçado de pagamento individual, mas suponho que tenha sido expressivo; não sei com que fontes foi feito o pagamento coletivo, mas não fizemos recurso sobre isso”, diz o texto.

Conforme Pomar, os pagamentos coletivos irregulares reduzem as chances das correntes minoritárias e, portanto, colocam em xeque a propalada democracia interna do PT. “Perder representação por não ter votos suficientes faz parte da democracia. Mas não é democrático ser excluído porque as regras foram descumpridas”, diz o texto.

Leia também: TSE adia mais uma vez julgamento sobre criação de partidos

O secretário nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza, responsável pela organização do PED, disse que os recursos apresentados por Pomar estão na pauta da próxima reunião da Câmara de Recursos, marcada para terça-feira. “Estes recursos só não foram apreciados porque o próprio Pomar aceitou a ponderação de um integrante da Câmara para que o julgamento fosse adiado”, disse Souza.

“Na verdade, é exatamente o oposto. Depois das minhas ponderações, que são basicamente as que reiterei na carta, ele (Florisvaldo) e outros acharam melhor adiar a votação”, rebateu Pomar.

Leia tudo sobre: pedpteleição internavalter pomar

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas