PF prende 19 em operação contra quadrilha que desviava recursos da previdência

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Esquema teria movimentado pelo menos R$ 300 milhões e envolvia 'laranjas'; foram apreendidos carros de luxo

Em balanço divulgado na tarde desta quinta-feira (19), a Polícia Federal (PF) informou que foram presas 19 pessoas na Operação Miqueias, deflagrada pela Polícia Federal em nove Estados e no Distrito Federal. Entre os presos estão o doleiro Fayed Traboulsi e Marcelo Toledo. Toledo teve o nome envolvido na operação Caixa de Pandora, que levou à prisão o ex-governador do DF José Roberto Arruda. Está foragido Carlos Eduardo Lemos, conhecido como Dudu, operador conhecido por negócios com fundos de pensão de estatais.

Veículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFMoto apreendida na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFVeículos apreendidos na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFLancha apreendida na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PFLancha apreendida na Operação Miqueias, da PF. Foto: Divulgação PF

O esquema atingiu vários Estados, mas era comandado a partir de Brasília, por meio de uma consultoria financeira que fazia lavagem de dinheiro. Os crimes apurados na operação são atuação sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), corrupção ativa e passiva envolvendo prefeitos e gestores públicos, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Em um ano e meio de investigação, o esquema movimentou pelo menos R$ 300 milhões, dinheiro que era sacado na boca do caixa por "laranjas", e envolvia 30 empresas de fachada.

A Polícia também apurou que o esquema consistia na cooptação de prefeitos, para que fizessem investimentos com recursos de fundos de pensão municipais, em aplicações desvantajosas. Dez fundos municipais teriam sofrido perdas de R$ 50 milhões no período de um ano e meio. Foram apreendidos carros importados de luxo, como Porsche, BMW e uma Ferrari vermelha, além de uma lancha no valor estimado em R$ 5 milhões. A lancha pertenceria a Fayed.

A PF informou que não apresentará os nomes dos investigados porque começou a valer hoje a Lei do Crime Organizado, proibindo a exposição dos alvos. Segundo a PF, estão sendo cumpridos 75 mandados de busca e apreensão, cinco prisões preventivas e 22 prisões temporárias em dez unidades federativas: Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia.

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Holding

Em nota, a PF informa que investiga há um ano e meio lavagem de dinheiro por meio das contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de laranjas. Na ocasião, foi verificada a existência de uma holding de empresas que consistia em um verdadeiro serviço de terceirização para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos.

O dinheiro era creditado nas contas bancárias das empresas investigadas, e os valores ilícitos ficavam circulando pelas demais contas ligadas à quadrilha, de onde eram sacados. Em 18 meses, foram sacados mais de R$ 300 milhões. Para não chamar a atenção dos órgãos de fiscalização, os criminosos substituíam periodicamente os laranjas e empresas envolvidas no esquema.

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A PF identificou diversas “células criminosas da organização”, divididas em três núcleos. De acordo com os investigadores, os criminosos contavam com a ajuda de policiais civis do Distrito Federal. Os líderes da organização também faziam aliciamento de prefeitos e gestores do Regime Próprio de Previdência Social a fim de que aplicassem recursos de entidades previdenciárias em fundos de investimentos com papéis pouco atrativos, geridos pela própria quadrilha e com alta probabilidade de insucesso.

Esses fundos eram formados por “papéis podres” e “foram verificados prejuízos no patrimônio desses regimes previdenciários”, segundo a PF. Os prefeitos e gestores que aderiram ao esquema eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado.

Foram verificadas irregularidades especificamente no Regime Próprio de Previdência Social das prefeituras de Manaus, de Ponta Porã e Murtinho (MS), Queimados (RJ), Formosa, Caldas Novas, Cristalina, Águas Lindas, Itaberaí, Pires do Rio e Montividiu (GO), de Jaru (RO), Barreirinhas, Bom Jesus da Selva e Santa Luzia (MA).

Os presos e indiciados responderão pelos crimes de gestão fraudulenta, operação desautorizada no mercado de valores mobiliários, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

* Com Agência Brasil e AE

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