Desejo é por candidatura própria, diz Campos ao deixar governo Dilma. Assista

Por Luciana Lima - iG Brasília* | - Atualizada às

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Após reunião da executiva nacional, PSB supera resistências e decide entregar cargos a Dilma. Apenas Cid Gomes (CE) votou contra

Os ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, além do diretor da Chesf (Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco), João Bosco de Almeida, entregam os cargos ainda hoje à presidente Dilma Rousseff. O partido explica que a saída do governo atinge somente os cargos que foram negociados pela direção nacional do partido com a presidente Dilma.

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"O desejo hoje do partido é pela candidatura própria", afirmou o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos após reunião da Executiva Nacional. O governador, apontado como provável candidato ao Palácio do Planalto, ressalvou, no entanto, que uma decisão sobre candidatura própria só será tomada em 2014 e que a saída do governo deixa o partido à vontade para debater essa possibilidade.

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Assim que soube que a executiva nacional do PSB bateu o martelo no desembarque do partido do governo, a presidente chamou Campos para conversar. Eles se reuniram no fim da tarde desta quarta. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, o encontro durou cerca de 40 minutos e ocorreu apenas entre Campos e a presidenta Dilma. O teor da conversa não foi revelado pelo Planalto, mas uma carta com o teor a decisão do partido foi entregue.

No documento, Eduardo Campos diz “declinar de sua participação no governo, entregando os cargos que ora ocupa”. No entanto, “reafirma que permanecerá, como agora, em sua defesa [da presidenta Dilma] no Congresso Nacional “. A carta diz ainda que a decisão não antecipa posicionamentos quanto às eleições presidenciais de 2014. “Esta decisão não diz respeito a qualquer antecipação quanto a posicionamentos que haveremos de adotar no pleito eleitoral que se avizinha, visto que nossa estratégia – que não exclui a possibilidade de candidatura própria – será discutida nas instâncias próprias”, diz.

A intenção de o partido se afastar do governo começou a ser discutida depois de especulações – não confirmadas pelo Palácio do Planalto – de que a presidenta estaria avaliando dispensar ministros do PSB. Na carta aprovada pela executiva do partido, Eduardo Campos diz não receber as manifestações como ameaça. “O Partido Socialista Brasileiro [PSB]- que nunca se caracterizou pela prática do fisiologismo - reafirma seu desapego a cargos e posições na estrutura governamental, e reitera que seu apoio a qualquer governo jamais dependeu de cargos ou benesses de qualquer natureza”, diz no documento.

Assim como a decisão de deixar o governo, as resistências internas do partido também já foram superadas. É o caso da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), que defendia a permanência no governo, além do senador Carlos Valadares (PSB-SE). Apenas o governador do Ceará, Cid Gomes, foi voto contrário. 

Cid, padrinho político de Leônidas Cristino, já comunicou que cumprirá a decisão do partido de entregar o cargo do afilhado. Lídice chegou a dizer que respeitara a decisão da Executiva e que, se necessário, se candidatará ao governo da Bahia para montar palanque para Eduardo Campos, em 2014.

Bezerra, na reunião, chegou a comentar que a sua decisão de deixar o governo foi tomada na semana passada quando soube da intenção do PMDB de indicar o seu substituto. Ao saber dessa notícia, ele ligou para Aloizio Mercadante, ministro da Educação, e pediu uma explicação. Mercadante disse que apuraria o caso e que retornaria, mas até hoje, segundo Bezerra, Mercadante não deu retorno.

Bezerra também falou na reunião sobre o episódio do lançamento do programa Água para Todos, no qual a ministra petista Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, discursou no lugar dele embora o programa pertencesse à sua pasta. Bezerra relatou que a ministra chegou a questioná-lo por que teria de falar. Embora achasse estranho, ele desconversou e disse “que deveria ser porque o programa está ligado ao combate à fome”.

Na reunião, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) foi aplaudida ao apoiar a decisão de sair agora do governo. Ela disse que não há por que esperar até 2014.

A reunião com Dilma foi pedida ontem mesmo pelo presidente da legenda Eduardo Campos, que também conversou por telefone com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula chegou a pedir um encontro no próximo dia 7 com Campos, mas o governador disse que já era uma decisão tomada. 

* Com Reuters e Agência Brasil

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