Oposição critica reabertura do julgamento do mensalão e PT elogia STF

Por iG São Paulo |

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Para os partidos de oposição, decisão do STF é ‘nefasta’; petistas afirmam que Constituição foi cumprida

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em aceitar os embargos infringentes dividiu petistas e os partidos de oposição no Congresso. O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), elogiou a decisão do STF e o voto do ministro Celso de Mello, proferido hoje. Já o líder do PSDB na Casa, deputado Carlos Sampaio (SP), disse respeitar a decisão, mas classificou como lamentável o fato do prolongamento do julgamento. “Respeito a decisão, porque ela emana da mais alta Corte do país. Porém, lamento”, declarou.

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“Venceram o Estado Democrático de Direito e os princípios internacionais da Justiça que devem prevalecer no Brasil: direito de defesa e de um duplo julgamento. Aliás, o voto do ministro Celso de Mello foi uma aula não só aos ministros do Supremo, que açodadamente queriam previamente condenar, mas também àqueles que, no Brasil, entendem que deve haver julgamento sumário quando se trata de questões políticas. Todo cidadão tem direito a um duplo julgamento. Prevaleceu o bom-senso”, disse André Vargas.

Líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI) que a verdade venceu. “Queria saudar o nosso País, que tem um ministro do Supremo como o Celso de Mello e pode ter um julgamento coerente com a sua própria história", disse. O também petista Humberto Costa (PE) foi mais cauteloso e afirmou receber com "naturalidade" a decisão do STF.

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Também comemorando a decisão do Supremo, ressaltando que o voto do ministro somente corrigiu uma "injustiça", o líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), não vê a extensão do julgamento do infringentes como prejudicial ao partido na corrida eleitoral. "O PT não tem qualquer preocupação com o resultado, quer justiça. Já enfrentamos as urnas em 2006, 2008, 2010 e 2012 e o partido tem crescido em número de votos."

Oposição

Em nota assinada pelo presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), um dos possíveis opositores da presidente Dilma Rousseff nas eleições do ano que vem, o PSDB se diz "confiante que os recursos apresentados pela defesa dos réus não terão capacidade para mudar esse julgamento". "A maioria dos brasileiros não só acompanhou, como aprovou, no ano passado, as condenações definidas pela Justiça brasileira", destacou o partido. A sigla também pediu ao STF agilidade no julgamento dos embargos.

O líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), classificou o desfecho dessa etapa do julgamento do mensalão de "nefasto". "É um momento triste, uma página nefasta na história do Supremo Tribunal Federal", disse o deputado. "Frustra milhões de brasileiros, que se sentem desprotegidos", complementou.

Caiado, para quem a recente decisão "tira a esperança do povo brasileiro", manifestou ainda preocupação de que um novo julgamento resulte na prescrição de crimes e na diminuição das penas impostas aos condenados no mensalão no ano passado.

Já para o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (SP), a manifestação do STF demonstra "que o país da impunidade é o Brasil". Em nota divulgada pela liderança do partido na Câmara, o deputado classificou ainda a decisão de "duro golpe contra a credibilidade da Justiça". "Como haverá um novo julgamento, que poderá reduzir penas, os deputados condenados vão acabar conseguindo completar o mandato sem uma punição definitiva. As prisões também serão postergadas", disse Bueno.

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