Para evitar controle de Paulinho, Lupi vai assumir PDT de São Paulo

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

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Ex-ministro tenta impedir que deputado controle o partido enquanto tenta viabilizar o Solidariedade; outro objetivo é alinhar o partido à aliança pela reeleição de Dilma

O presidente nacional do PDT e ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, vai acumular a presidência do diretório estadual do partido em São Paulo a partir do dia 1º de outubro, quando termina o mandato do atual presidente estadual, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força.

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O objetivo da manobra é impedir que Paulinho mantenha o controle do PDT em São Paulo enquanto tenta viabilizar seu novo partido, o Solidariedade.

AE
Lupi assumirá o controle do PDT em São Paulo

O racha no PDT paulista foi evidenciado nesta segunda-feira, quando começaram a ser veiculadas as inserções publicitárias do partido no Estado. Enquanto a direção nacional defendeu a veiculação de propagandas na qual a estrela é o deputado estadual Major Olimpio, pré-candidato do partido ao governo de São Paulo, aliados de Paulinho encaminharam vídeos veiculados em junho, nos quais ele próprio é o protagonista, a retransmissoras de rádio e TV do interior.

"O presidente Lupi me ligou para perguntar se tinha dado tudo certo com as inserções e eu fui obrigado a responder que não tinha a informação", disse Major Olimpio. "É constrangedor, não sabemos se as inserções corretas foram veiculadas em todo o Estado, mas vamos suportar o constrangimento até outubro", completou o deputado.

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Segundo ele, pelo menos meia dúzia de lideranças do PDT ligadas à Força Sindical comunicaram que vão permanecer no partido apesar da criação do Solidariedade. "Ninguém vai ficar com um pé em cada canoa", afirmou.

Outro objetivo é alinhar o partido, que em São Paulo tem vínculos com o PSDB, à aliança pela reeleição da presidente Dilma Russeff.

O processo de reconstrução do PDT em São Paulo passa pela tentativa de atrair antigas lideranças que deixaram o partido. Alguns ex-pedetistas como o advogado José Roberto Batochio e o vereador Carlos Apolinário estão na mira de Lupi.

A tentativa de apagar o incêndio ocorre em um dos momentos mais tumultuados do PDT com prisões em Minas Gerais e São Paulo de pessoas acusadas de participação em um esquema milionário de desvios no Ministério do Trabalho, única pasta comandada pelo partido. Nesta terça-feira o número dois do ministério, Paulo Pinto, pediu afastamento do cargo em função das denúncias.

Paulinho foi procurado para comentar o assunto mas não atendeu os telefonemas.

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