Sob pressão de Temer, PMDB paulista sinaliza apoio à candidatura de Skaf

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Para afastar boatos de apoio à reeleição de Alckmin, direção estadual do partido filia Frank Aguiar, vice-prefeito de São Bernardo e próximo a Lula

Depois de pelo menos dois meses de negociações, o PMDB de São Paulo marcou para as 10h desta terça-feira o ato de filiação ao partido do vice-prefeito de São Bernardo, Frank Aguiar (sem partido). A filiação é vista como um sinal de fortalecimento da pré-candidatura de Paulo Skaf (PMDB) ao governo de São Paulo e demonstração de força da direção nacional do partido, insatisfeita com a aproximação entre o PMDB paulista e o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na semana passada, o vice-presidente da República, Michel Temer, explicitou ao presidente estadual do PMDB, o deputado estadual Baleia Rossi, seu descontentamento com a condução do partido no principal Estado da federação.

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O principal motivo de descontentamento é o fato de Rossi ter levado 50 dos 90 prefeitos do PMDB paulista ao Palácio dos Bandeirantes na quarta-feira da semana passada para um encontro com Alckmin no qual o governador liberou cerca de R$ 300 mil em média para cada peemedebista.

O encontro deu margem para especulações de que o PMDB poderia abandonar Skaf e embarcar na coligação que vai apoiar a reeleição de Alckmin no ano que vem. Fontes tucanas têm cogitado inclusive a possibilidade de Rossi ser candidato a vice em troca do apoio ao PSDB.

"O presidente estadual se justificou dizendo que o objetivo era fortalecer as prefeituras do partido. Neste caso ele foi ingênuo, pois o encontro dos prefeitos com Alckmin tem um simbolismo político que contamina", disse uma fonte próxima a Temer.

Diante do aumento das especulações, Rossi marcou a filiação de Frank Aguiar para esta terça-feira como sinal de compromisso com a direção nacional.

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Muito ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao prefeito Luiz Marinho (PT), o vice-prefeito de São Bernardo abandonou o PTB justamente porque o partido anunciou apoio à candidatura de Alckmin. Aguiar prefere uma legenda mais próxima do PT e que integre a aliança em torno da reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Ele chegou a consultar o PRB.

Léo Franco/AgNews
Frank Aguiar assina sua filiação ao PMDB

Para tentar afastar de vez os boatos, Rossi também divulgou uma nota nesta segunda-feira reiterando o apoio à candidatura de Skaf. "A candidatura própria do PMDB a governador de São Paulo é inegociável. Reiteradas vezes ao longo das últimas semanas, a Executiva Estadual – a qual tenho a honra de presidir – reafirmou publicamente a candidatura própria do PMDB nas eleições para o governo do Estado de São Paulo em 2014. Esse projeto foi viabilizado pela expressiva votação obtida nas eleições municipais do ano passado: o PMDB foi o partido que mais cresceu no Estado de São Paulo com a eleição de cerca de 90 prefeitos, 80 vices e 700 vereadores, além de uma votação expressiva na capital", diz a nota.

"Mais do que isso. O pré-candidato Paulo Skaf possui inúmeras qualidades pessoais, além de aparecer em segundo lugar em todas as pesquisas de intenção de voto com cerca de 20%, percentual que demonstra claramente a viabilidade de uma candidatura própria do PMDB ao governo estadual", conclui o texto.

Em outubro, as direções de PT e PMDB pretendem se reunir para reeditar em 2014 o pacto de não agressão feito em 2012. A ideia é evitar atritos nos Estados onde os dois principais partidos da base de apoio a Dilma serão adversários e, assim, facilitar alianças no segundo turno.

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