Fragilizado e em baixa nas pesquisas, Haddad tenta reaproximação com base do PT

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

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Após desgaste com protestos de junho, prefeito de São Paulo adota tom mais humilde, ouve duras críticas da militância do partido e abre canal direto de diálogo

Amargando baixos índices de popularidade e fragilizado politicamente em função dos protestos de junho, o prefeito de São Paulo, Fernando Hadad, busca uma reaproximação com a base do PT.

Na última segunda-feira, Haddad participou de uma longa reunião com mais de 30 presidentes de diretórios zonais do PT e representantes de setoriais do partido na capital paulista.

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Na conversa, o prefeito abriu um canal direto de diálogo com a militância do partido, sem passar pela mediação das subprefeituras (ocupadas por engenheiros de carreira) e se comprometeu a voltar a se reunir com o partido uma vez a cada 75 dias.

Agência Brasil
Haddad se reaproxima da militância do PT e abre canal de diálogo

Segundo relatos, a reunião serviu para reduzir a pressão acumulada na base petista desde a eleição de Haddad e para melhorar a relação desgastada.

"Havia uma ansiedade de todos nós. Foram oito anos sem um governo popular em São Paulo e agora que temos um esperávamos mais espaço", disse o representante do setorial de habitação do PT paulistano, Sidnei Pita, que participou da reunião. "Com este novo desenho diminuiu um pouco a ansiedade", completou.

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O prefeito prometeu reuniões periódicas e a criação de uma conta de email exclusiva pela qual os dirigentes petistas vão encaminhar diretamente a secretário de Relações Governamentais, João Antonio, pleitos e demandas da população.

De acordo com participantes, Haddad não falou sobre cargos nas subprefeituras, principal alvo de cobranças do PT desde a eleição. Durante o encontro, o prefeito ouviu duras críticas da base petista. Muitas pela demora na execução de promessas de campanha, concentração de poder nas mãos de poucos secretários e, principalmente, falta de diálogo com a base que o elegeu.

"Nem todo mundo está brigando por causa de cargos mas quase todos reclamaram pela falta de diálogo", disse Pita.

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A reunião com Haddad era pleiteada pelo PT paulistano há mais de oito meses. Desde então o prefeito se recusava a receber os dirigentes petistas. Nas poucas vezes em que ouviu a base do partido desde que foi eleito, o prefeito recusou duramente as demandas dos dirigentes, que apontaram traços de arrogância e inabilidade na postura de Haddad. Participantes do encontro notaram um tom mais humilde por parte do prefeito.

"Ele estava pianinho. Ouviu coisas muito pesadas e não rebateu como fez em outras ocasiões. Esperamos que tenha aprendido a lição. Dor de barriga não dá só uma vez", disse um dirigente que pediu para não se identificar.

Além de receber a base petista pela primeira vez, Haddad também passou a conversar individualmente com vereadores nas últimas semanas.

Tanto a reunião com petistas como as conversas com vereadores coincidem com o momento de fragilidade política de Haddad. Segundo o Datafolha de 1o de julho, Haddad tem apenas 18% de aprovação e 40% de rejeição. A atuação do prefeito na crise do aumento das tarifas foi considerada desastrosa por petistas, assessores e aliados.

Os números fizeram piscar o sinal de alerta na cúpula do partido. Cerca de duas semanas atrás a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniram em Brasília para traçar um plano de resgate da popularidade do prefeito, considerada fundamental para a reeleição de Dilma no ano que vem.

A prefeitura e o secretário João Antonio foram procurados para comentar o assunto mas não responderam à reportagem do iG.

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