STF pode rever decisão sobre Donadon

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

A preservação do mandato pela Câmara do criou uma saia justa para o Supremo, que determinou em junho a sua prisão imediata

Brasil Econômico

Parlamentares diziam ontem na Câmara que a decisão do presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN), de suspender o mandato do deputado Natan Donadon (sem partido-RO) - cuja cassação foi rejeitada pelo Legislativo- pode vir a ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado de Donadon, Gilson Stefanes, avisou que pretende recorrer.

A preservação do mandato também criou uma saia justa para o Supremo, que determinou em junho a prisão imediata do deputado, enquanto a Câmara agora decide preservá-lo. Donadon foi condenado a mais de 13 anos de prisão pelo desvio de R$ 8,4 milhões da Assembleia de Rondônia. "Quero ver quem vai assinar esse pedido. Assim, vamos esclarecer de onde vieram esses votos", diz o deputadoEsperidião Amin (PP-SC).

A decisão de manter o mandato é catastrófica para a imagem da Câmara. Já são esperadas novas manifestações de rua. Deputados avaliavam que o único efeito positivo é que projetos em defesa do voto aberto e do fim do foro privilegiado para políticos e autoridades dos três poderes ganharão força.

Também é fortalecida a tese de que a Câmara não deve deliberar sobre decisão judicial transitada em julgado. "Não deveria haver a menor tergiversação sobre isso", diz o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ). O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) questionou os comentários de que petistas se ausentaram para evitar mais adiante que os parlamentares ligados ao mensalão percam seus mandatos. Segundo ele, o resultado foi "construído" a partir do anúncio de que não haveria votação nominal e, ontem, o painel não registraria presença. "Aí, os deputados viajam", afirma.

A cobrança e a prova

O deputado Bruno Araújo (PE), ex-líder do PSDB, filmou o voto pela cassação e colocou em seu site. Afirmou estar disposto a responder processo disciplinar pela decisão. E revelou que sua mulher ligou para checar o voto, logo cedo.

Bate-boca no plenário

Durante a votação de cassação do mandato de Natan Donadon (RO), os deputados Edson Santos (PT-RJ) e Roberto Freire (PPS-SP), se estranharam no plenário. Houve uma discussão, mas a turma do deixa prá lá acalmou os ânimos.

Disputa de privatarias

O autor do livro "A privataria tucana", Amaury Ribeiro Jr, disse ter estranhado a editora Geração, a mesma que publicou seu trabalho, lançar " O príncipe da privataria", de Palmério Dória. Ele afirma que os dois livros não têm relação.

Serrista não sai

Um dos parlamentares mais próximos de José Serra, o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA) diz que não mudará de partido, caso o seu amigo migre para o PPS. A cúpula tucana avalia que o ex-governador de São Paulo, se vier a sair realmente, não conseguirá levar vários políticos próximos a ele, como Jutahy e o ex-vice-governador de SP, Alberto Goldman.

"A amizade será a mesma", diz deputado

"Não posso falar pelos outros. Mas não tenho como sair. Toda a minha marca e minha trajetória são identificadas com a construção do PSDB. Já avisei isso no meu Estado. Minha decisão é ficar", afirmou o deputado. Jutahy ressaltou, no entanto, que a amizade com Serra continuará a mesma, "independentemente da decisão que ele vier a tomar".


Leia tudo sobre: Mosaico PolíticoDonadonSTFPPSJosé SerraCongresso

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas