CPI na Câmara de São Paulo adia votação para convocar secretário dos Transportes

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Pedido foi apresentado por vereador da oposição, que também pede convocação de todos os ex-secretários, desde 2003; outros três requerimentos foram aprovados

A CPI da Câmara Municipal de São Paulo que investiga as planilhas do transporte da capital adiou a votação do requerimento, apresentado pelo vereador Eduardo Tuma (PSDB), para convocar o atual secretário dos Transportes da capital, Jilmar Tatto (PT). Na sessão de hoje, a CPI aprovou outros três pedidos.

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Leia mais: Vereador vai convocar executivos de empresas suspeitas de cartel

Os requerimentos aprovados pedem acesso às investigações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre o suposto cartel nos contratos do Metrô, às planilhas dos gastos da SPTrans com a Digicom, empresa que fabrica os validadores de bilhete único. O primeiro foi apresentado por Milton Leite (DEM) e os outros dois por Adilson Amadeu (PTB).

Divulgação
Representantes da SPUrbanoss falam à CPI dos Transportes na Câmara em São Paulo

Único vereador da oposição na comissão, Tuma também pediu a convocação de todos os ex-secretários da pasta desde 2003, além da indicação de um procurador e um promotor para acompanhar os trabalhos de investigação. Outro requerimento pediu um parecer do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre a existência de movimentações financeiras das empresas de ônibus no exterior.

"Isso aqui parece uma ditadura, não se pode nem ler os meus requerimentos", protestou Tuma. Para o vereador, "é regimental" que ele tenha seus requerimentos apreciados na sessão. O presidente da CPI, Paulo Fiorilo (PT), disse que o requerimento não foi aprovado porque existe um acordo para que só se vote os que forem apresentados 48h antes da sessão, e que se abriu uma exceção porque eram poucos. "Só tinham três, então nós decidimos votar, mas depois apareceram 20, aí não deu pra votar tudo."

Sobre o lucro

Na sessão de hoje, os vereadores receberam os representantes do sindicato dos donos das empresas de ônibus. Para eles, o subsídio pago pela Prefeitura é um gasto direto com o passageiro, para manter a tarifa em um patamar que o governo considera adequado. "O subsídio não é para a empresa de ônibus, é para o passageiro. As empresas têm uma remuneração fixa, definida em contrato", disse Carlos Alberto Fernandes, diretor executivo do SPUrbanoss.

Para Wagner Moreira, economista funcionário do sindicato, a tarifa não é de responsabilidade das empresas, mas do governo. Segundo Moreira, as taxas de lucro e de retorno das empresas é menor do que a divulgada nas planilhas da SPTrans. Enquanto as planilhas mostram 6% de lucro, ele afirma que a porcentagem é de 1,4%. "As margens estão bastante reduzidas. Por isso nós militamos por reduzir custo e aumentar eficiência. Esses dados da SPTrans nós não conhecemos, deve ser algum estudo a que nós não tivemos acesso", disse.

Fiorilo diz que o valor de 1,4% é o lucro consolidado, desde o início do atual sistema, diferentemente da margem de lucro atual, e apresentou uma tabela com lucros do ano passado, que inclusive mostra que uma das empresas, a Happy Play, que não é sindicalizada, teve lucro de 81% em 2012.

Os representantes do SPUrbanuss também negaram acusações de que empresas consigam maquiar balanços, não paguem dívidas trabalhistas, ou troquem de nome após falir sem pagar dívidas trabalhistas.

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