Patriota não avisou Dilma

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento | - Atualizada às

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A demissão do ministro das Relações Exteriores foi decidida porque ele não avisou a presidente sobre a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina

Brasil Econômico

Alan Sampaio / iG Brasília
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve o tempo todo ao lado da presidente após a descoberta da fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina

A presidente soube do fato e esperou que o ministro ligasse. Como não veio o telefonema, tomou a decisão. Patriota soube da fuga depois de ter ocorrido. Mas não avisou imediatamente a presidente. Ela ficou sabendo por outras vias. Depois, ligou para ele.

Inicialmente, o governo brasileiro recebeu a informação de que o senador estaria em um hospital em Campo Grande (MS). O boliviano foi procurado na cidade, mas não encontrado. Nos momentos seguintes à descoberta da operação, quem esteve o tempo todo ao lado de Dilma foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O ministro não foi chamado para tomar decisão sobre o assunto - ressaltam governistas -, por não ser a sua área. Mas não deixou de marcar presença ao lado da presidente. Isso é mais uma evidência de que ele - que deve ser o indicado para concorrer ao cargo de governador em São Paulo pelo PT - está cada vez mais fortalecido no governo.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, também foi chamado no momento. Dilma manifestou irritação com Patriota. Já estava contrariada com ele há muito tempo, por vários motivos.

Dessa vez, não admitiu a realização dessa operação sem seu conhecimento e aprovação - e também do próprio ministro. Outras decisões do ex-ministro provocaram contrariedade em Dilma, como a demora na manifestação do Itamaraty contra a decisão de governos europeus de negar o pouso ao avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, em julho.

Quebra de hierarquia

Para o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), o Itamaraty não podia manter um embaixador com postura ideológica contrária ao governo da Bolívia, com o qual o País mantém boas relações. "Houve quebra de hierarquia", diz o senador.

Bom negociador

Especialista em meio ambiente e desenvolvimento sustentável, o novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, é considerado um excelente negociador e, segundo governistas, tem "clareza sobre o papel político do Itamaraty".

Embaixador punido

O embaixador Marcel Biato, que ajudou na fuga do senador na Bolívia, já foi punido. Não deve mais seguir para a Suécia, para onde havia sido indicado. A mensagem que estava no Senado para analisar e aprovar sua indicação, já foi retirada.

Caiado irritado

O líder da bancada do DEM, Ronaldo Caiado (GO), estava irritado ontem com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelo fato de ter sido cancelado debate da comissão geral, hoje, em plenário da Câmara, para discutir o programa Mais Médicos. A discussão foi transferida para a próxima quarta-feira, dia 4. Padilha estaria no debate.

"Governo sabota discussão", diz deputado

O adiamento foi decidido depois que os líderes da base governista decidiram ouvir o senador João Alberto Souza (PMDB-MA) e o deputado Rogério Carvalho (PT-SE), presidente e relator da comissão que analisa a MP 621/13, que institui o Mais Médicos. "O ministro da Saúde agora agenda a Câmara. Não quer a reunião. O governo está sabotando a discussão", reclamava.

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