Ministro das Relações Exteriores deixa o governo após fuga de boliviano

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Senador adversário de Morales estava asilado há mais de um ano na embaixada brasileira em La Paz e deu entrada no Brasil sem autorização do governo boliviano

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, deixou o governo na noite desta segunda-feira (26) após reunião com a presidente Dilma Rousseff. O Palácio do Planalto informou que Luiz Alberto Figueiredo, representante do Brasil na Organização das Nações Unidas, assumirá no lugar de Patriota. E o ministro ocupará o lugar de Figueiredo na ONU. A conversa entre a presidente e Patriota foi rápida, no Palácio do Planalto.

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Agência Brasil
Antonio Patriota deixa o cargo após episódio que envolve senador boliviano

A entrada do senador boliviano Roger Pinto Molina no Brasil foi o que motivou o pedido de demissão do ministro, cuja relação com Dilma já sofria desgaste. Molina estava asilado há mais de um ano na embaixada brasileira na Bolívia e chegou neste domingo ao país acompanhado do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). O diplomata Eduardo Saboia é apontado como principal responsável pela retirada do senador.

A Bolívia cobrou o Brasil sobre o caso, uma vez que não autorizou a saída do senador do país. No domingo, a chancelaria boliviana declarou o político fugitivo da Justiça e acionou a Interpol. 

Uma fonte diplomática que conhece Saboia lembra que a Bolívia está no escopo de ação direta do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, apelidado de "chanceler para a América do Sul" no Itamaraty devido à sua ingerência na política externa do Brasil para a região. Garcia é amigo pessoal e Álvaro Linero, vice-presidente da Bolívia e um assessor direto do brasileiro, Marcel Biato, foi o último embaixador do país na Bolívia.

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O clima no Itamaraty era de tensão, pois é a primeira vez na história recente que, em uma carreira guiada pela disciplina e hierarquia, um profissional tem sua conduta investigada por supostamente não seguir orientações de superiores, em uma questão envolvendo dois Estados – Brasil e Bolívia.

Agência Brasil
Luiz Alberto Figueiredo assumirá Ministério das Relações Exteriores no lugar de Patriota

Molina, que faz oposição ao governo de Evo Morales, ficou quase 15 meses abrigado na Embaixada do Brasil em La Paz desde que pediu asilo político ao Brasil. O salvo-conduto era negado pelas autoridades bolivianas que alegavam que o parlamentar responde a processos judiciais no país.

Jornada até o Brasil

De acordo com o deputado Ferraço (PMDB-ES), Pinto viajou em uma comitiva de dois carros da embaixada, com placas consulares, e acompanhado de Saboia e de dois fuzileiros navais que fazem a segurança da embaixada. Nas missões no exterior, os militares respondem não ao Ministério da Defesa, mas ao chefe da representação consular - no caso, Sabóia.

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Ao fim de uma viagem de 22 horas de carro, onde passaram por cinco controles militares, incluindo os da fronteira, o diplomata teria ligado para Ferraço. "Ele me ligou e disse que estava com o senador em Corumbá, mas não tinha como levá-lo até Brasília. Tentei falar com o presidente do Senado (Renan Calheiros) e outras autoridades, sem sucesso. Então, consegui um avião. Fui buscá-lo para levá-lo para Brasília", contou Ferraço.

Ferraço afirma que Saboia contou a ele que vinha conversando havia algum tempo com o Itamaraty sobre a situação do senador boliviano.

*Colaborou Vitor Sorano, iG São Paulo

*Com Agência Brasil e Agência Estado

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