Protestos marcam audiência pública sobre transporte público na Câmara de SP

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Manifestantes tumultuaram falas de vereadores. Evento foi realizado após negociação em invasão da casa no último dia 14

Cerca de 600 pessoas acompanharam a audiência pública realizada pela Câmara Municipal de São Paula na noite desta quinta-feira (22), segundo estimativa da Polícia Militar (PM), que controlou a entrada de todos na Casa, revistando bolsas e mochilas. Máscaras e outros objetos considerados suspeitos pelos PMs precisaram ficar de fora das grades que cercavam o prédio. A segurança contou com 75 PMs e 70 Guardas Civis Metropolitanos (GCMs) para acompanhar o evento.

Natália Peixoto / iG São Paulo
Manifestantes protestam na frente da Câmara durante discussão da CPI dos Transportes

O reforço veio após manifestantes quebrarem vidros da fachada do prédio no último dia 14. Um grupo invadiu o plenário, reinvindicando maior acesso às informações da CPI dos Transportes, comissão que investiga a tarifa da passagem de ônibus. A audiência de hoje veio em resultado das negociações com o presidente da casa, o vereador José Américo (PT).

Nem o secretário estadual, nem o municipal de transportes estiveram presentes. A audiência foi presidida pelo vereador Senival Moura (PT), ligado ao setor dos transportes na capital.

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Arielli Tavares Moreira, representante da Assembleia Nacional dos Estudantes (Anel) discursou em defesa do passe livre, da abertura dos dados das planilhas que compõem o preço da passagem e pela convocação dos donos das empresas de ônibus na CPI dos Transportes. A entidade levou três requerimentos para o presidente da CPI, Paulo Fiorilo (PT), pedindo detalhamento do uso do subsídio pago pela prefeitura às empresas, verificação da qualidade nas prestações de serviço e o destino do dinheiro das multas pagas pelas empresas.

A Anel e o PSTU levaram cerca de 80 pessoas para a audiência e atrapalharam fala dos vereadores com gritos de ordem como "passe livre já" e "Haddad e Alckmin, prestem atenção. Eu tô na luta pela estatização." Os manifestantes vaiaram o vereador tucano Eduardo Tuma, que pediu para não partidarizarem a discussão. Vice-presidente da CPI, Tuma foi alvo dos manifestantes por causa das últimas denúncias de cartel nas obras do metrô envolvendo o governo do Estado e o PSDB. "Nós não temos confiança em nenhum dos partidos políticos que estão na Câmara", explicou Arielli. Em sua defesa, Tuma voltou a defender o debate apartidário.

O presidente da Câmara disse ter ficado surpreso pela pouca adesão dos manifestantes. "A gente esperava muito mais, uma presença maior. Eles poderiam se juntar com outros grupos que lutam pela melhoria do Transporte", disse Américo. Além dos estudantes, também estavam presentes representantes do sindicato dos metroviários, dos taxistas de frota e dos condutores de ônibus da capital, esse último convidado pelo vereador Vavá dos Transportes, que compôs a mesa da audiência pública. O presidente do Sindicato dos Motoristas, Jorge Hissao, o Jorginho, também falou aos participantes. Os sindicalistas alegam terem levado, só eles, quase 700 pessoas, número maior do que a estimativa total da PM.

O Movimento Passe Livre (MPL), que incitou as manifestações que resultaram na redução da passagem em junho, apesar de aguardado pelos vereadores, não estava presente.

Fiorilo, que foi questionado pelos manifestantes ao dizer que usa transporte público com frequência, disse que irá aceitar os requerimentos apresentados pelos manifestantes, disse que falta participação política nas reuniões da CPI, que são abertas. O petista voltou a falar que todos os dados fornecidos à comissão estão divulgados no site da Câmara, e que muitas das discussões propostas já são feitas no espaço. "Essa audiência é um exercício de democracia, a Câmara é para isso, mas falta mais participação, que as pessoas acompanhem os trabalhos", disse.

O vereador Ricardo Young (PPS), que ajudou a negociar a realização da audiência com os manifestantes há duas semanas, disse estar "satisfeito" com o evento de hoje. "Agora o grande desafio é ampliar o escopo da CPI, para que ela não seja chapa branca, já que agora ela se comprometeu publicamente com um escopo maior do que está realizando."

Movimento Negro

Manifestantes que seguiam em protesto pelo centro em protesto contra o genocídio da juventude negra pararam em frente à Câmara durante a audiência.

As cerca de 500 pessoas que fecharam uma das pistas do Viaduto Jacareí protestavam contra a violência policial e contra a votação da Salva de Prata a Ronda Tobias Aguiar (ROTA), homenagem proposta pelo vereador Coronel Telhada (PSDB). A homenagem ficou para ser votada na próxima terça, após Toninho Vespoli pedir votação nominal. Telhada foi alvo dos manifestantes, junto com os outros vereadores da bancada da bala na Câmara.

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