Alianças viram principal desafio para campanha de Eduardo Campos

Por Luciana Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Incertezas sobre quadro eleitoral e movimentações como a de Serra dificultam aproximação do governador com partidos que garantam palanque robusto e tempo de TV

Divulgação/Governo de Pernambuco
Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB

Empenhado em viabilizar sua campanha à Presidência da República no próximo ano, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vem enfrentando como principal dificuldade a costura de uma coligação forte. Diante do cenário que vem se desenhando no plano nacional, os articuladores de Campos dizem ter dificuldade até mesmo de identificar, no atual momento, quais partidos seriam os melhores alvos de uma estratégia para tentar amarrar uma aliança.

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No primeiro semestre, o PSB tentou fechar apoio do PPS, sob o comando do deputado Roberto Freire (SP), e do PSD, nas mãos do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (SP). Esses partidos, no entanto, projetam outras alternativas. O quadro se dissipou ainda mais depois que o ex-governador de São Paulo José Serra sinalizou que pode se candidatar novamente ao Planalto e que cogita até mesmo sair do PSDB.

Neste cenário, Eduardo Campos passa a ser a segunda ou a terceira opção de legendas que permitiriam montar um palanque mais robusto nos estados e, principalmente, aumentar o tempo do socialista na propaganda de TV.

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O PPS está na espera de uma definição de Serra. Caso o tucano não seja candidato, a legenda deve ficar com Eduardo Campos. O PSD também espera por Serra, mas tem como segunda opção seguir no projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

No PSDB, Serra tenta forçar o embate com o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional da legenda e já colocado como pré-candidato tucano a Presidência da República. Serra trabalha pela realização das prévias, com base em critérios que lhe assegurem condições de disputar a indicação com Aécio.

Com a movimentação do tucano, os socialistas assistem também a uma possibilidade cada vez mais remota de coligação com o PV, outro partido que figurava entre os alvos do assédio de Eduardo Campos. Serra vem se empenhando pessoalmente na aproximação com os verdes. Chegou a discutir o assunto em almoço com o presidente da legenda, José Luiz Penna.

Dúvidas

Foi nesse clima de indefinição que Eduardo Campos recebeu nesta semana, no Recife, um grupo de cinco líderes socialistas que devem formar o núcleo de sua possível campanha. Participaram da reunião os deputados Marcio França (SP), Júlio Delgado (MG), o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, o senador Rodrigo Rollemberg (DF) e o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral.

Os articuladores da campanha dizem enfrentar dificuldades, em parte, por causa das dúvidas que ainda pairam sobre a candidatura de Campos, apesar de toda movimentação já feita pelo governador pernambucano desde o fim do ano passado. Campos já se envolveu pessoalmente nas conversas com líderes de outros estados para tentar amarrar acordos e, desde então, vem fazendo viagens para se tornar mais conhecido do eleitorado, principalmente pelas regiões Sul e Sudeste do país.

Outra dificuldade apontada pelos articuladores é a demora do socialista em se assumir candidato. O governador pernambucano evita falar sobre o projeto nacional em público e não dá entrevistas sobre o assunto. No encontro da última segunda-feira (19), ele rejeitou os conselhos dos colegas da bancada para que se colocasse mais como candidato.

O clima de incerteza sobre sua entrada na disputa é alimentado pelo “hábito” do governador Eduardo Campos de conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acabaram sendo noticiadas pela imprensa. Os mais próximos do governador sustentam que as reuniões não são tão frequentes assim e que a última vez que trataram de política foi em junho, em meio às manifestações que atingiram as principais cidades brasileiras.

Hora certa

No encontro de segunda-feira, o PSB deu mostras de que as divergências internas em relação à candidatura de Eduardo Campos estão em vias de serem superadas. Ricardo Amaral, que sempre defendeu que o partido continuasse ao lado do PT, desta vez se manifestou em favor da candidatura presidencial do governador pernambucano.

Amaral também defendeu cautela de Eduardo Campos em relação ao momento de anunciar sua entrada na corrida. Ao contrário do que defendem alguns integrantes da bancada socialista na Câmara, ele concorda com o governador de que ainda é cedo para se posicionar.

Na avaliação de pessoas próximas a Campos, o momento ideal para colocar o nome na disputa presidencial e entregar os cargos que o PSB tem no governo petista é janeiro, após a avaliação que deve ser feita pelo partido em dezembro sobre o desempenho do governo na economia.

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