PT aponta 'cavalo-de-pau' em protesto liderado pelo PSTU

Por Ricardo Galhardo ,iG São Paulo | - Atualizada às

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Protesto desta quarta-feira teve mudança de foco do governo estadual, comandado pelo PSDB, para o municipal, liderado pelo PT

"A manifestação deu um cavalo-de-pau político e ideológico", disse o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo (PT), pouco depois de receber uma comissão de manifestantes, a maioria deles da Assembleia Nacional de Estudantes Livres (Anel), organização dominada pelo PSTU.

"Não quero pensar, por enquanto, que o motivo deste cavalo de pau é o fato de o PSTU ser oposição aos governos do PT", concluiu o vereador, ao ser questionado sobre a rivalidade entre petistas e PSTU.

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O cavalo-de-pau ao qual se referiu José Américo é um jargão do meio político que significa uma mudança brusca de rumo. No caso do protesto desta quarta-feira foi a mudança de foco do governo estadual, comandado pelo PSDB, para o municipal, liderado pelo PT.

A manifestação, convocada pelo Sindicato dos Metroviários, ligado ao PSTU, tinha como objetivo declarado protestar contra os supostos desvios de dinheiro no Metrô e na CPTM, ambas de responsabilidade do governo estadual. O PT, que aderiu à manifestação, tentou incluir o apoio à CPI para investigar o suposto cartel denunciado pela Siemens na pauta de reivindicações, mas foi derrotado.

Até a véspera os organizadores negavam que o foco fosse o governo Geraldo Alckmin (PSDB), mas logo no início do protesto vários grupos mostraram faixas pedindo a saída do governador.

A ideia inicial era caminhar pelas ruas do Centro até a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, onde foi protocolado um documento com as reivindicações.

Pelo menos 30 integrantes da juventude do PT participaram da marcha, mas só desfraldaram bandeiras do partido no final da caminhada. Segundo o secretário municipal da Juventude do PT, Erik Bouzan, disse que a estratégia era focar as reivindicações e não marcar posição. De acordo com outros petistas que preferiram não se identificar, no entanto, os militantes do partido ficaram incógnitos a maior parte do tempo devido ao temor de represálias e reações violentas como as que aconteceram em junho, quando bandeiras do partido foram queimadas na avenida Paulista.

Depois que a marcha passou pela Secretaria de Transportes um grupo de jovens ligados ao PSTU foi para a Câmara Municipal, arrastando uma multidão. Embora José Américo tenha aceitado receber uma comissão de manifestantes, muitos deles passaram a atirar pedras e bombas caseiras na fachada da Câmara. Um policial foi atingido no rosto. Outro no abdômen. A PM reagiu com bombas de gás, balas de borracha, spray de pimenta e os confrontos se espalharam pelo Centro.

Confronto de policiais e manifestantes nesta quarta-feira, em São Paulo. Foto: Rocha Lobo/Futura PressLoja de cosméticos teve a vitrine quebrada no centro São Paulo. Foto: iG São PauloAgência bancária danificada durante manifestação. Foto: iG São PauloTropa de Choque da PM foi acionada após confronto em São Paulo. Foto: iG São PauloManifestantes atearam fogo em lixo na rua Maria Paula, no centro da capital, após confronto com a polícia. Foto: iG São PauloReforço policial após confronto entre a PM e manifestantes em frente a Câmara Municipal . Foto: iG São PauloManifestação nesta quarta-feira em São Paulo. Foto: iG São PauloConfusão entre policiais e manifestantes durante protesto em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo. Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressRestos da catraca queimada por manifestante na praça da Sé. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes queimam catraca no meio da praça da Sé. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes estão distribuindo esse adesivo e pedindo para os usuários colarem nos vagões do metrô. Foto: Renan Truffi/iG São PauloMilitantes do PT optam por cartazes e
faixas em vez de bandeiras. Foto: Ricardo Galhardo/iGManifestantes estão perto da Secretaria de Transportes Metropolitanos. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes se reúnem em frente a Secretaria de Transportes Metropolitanos, onde queimaram um boneco . Foto: Renan Truffi/iG São PauloManifestantes queimam boneco em frente a Secretaria de Transportes Metropolitanos. Foto: Renan Truffi/iG São PauloManifestantes carregam um boneco que será queimado em frente a Secretaria de Transportes Metropolitanos. Foto: Renan Truffi/iG São PauloCara que os representantes do Sindicato dos Metroviários entregará para a Secretaria de Transportes Metropolitanos. Foto: Renan Truffi/iG São PauloOrganizadores se preocupam em relação a presença de grupos radicais e atos de vandalismo pois o objetivo é fazer um protesto pacífico. Foto: Renan Truffi/iG São PauloManifestantes saem do Vale do Anhangabaú e andam pelas ruas do centro de São Paulo. Foto: Renan Truffi/iG São PauloCapitão Giampaolo decidiu por conta própria colocar uma câmera no peito para "registro das manifestações". Foto: Renan Truffi/iG São Paulo"Ato em São Paulo será diferente dos protestos de junho", diz integrante do MPL. Foto: Renan Truffi/iG São PauloManifestantes começam a lotar Vale do Anhangabaú. Manifestação é contra corrupção no sistema de transportes de SP. Foto: Renan Truffi/iG São Paulo A manifestação pretende passar pelas sedes do Ministério Público Estadual e Defensoria Pública até chegar na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. Foto: Renan Truffi/iG São PauloEssa é a primeira manifestação convocada pelo MPL em São Paulo desde a série de protestos organizados pelo grupo no mês de junho. Foto: Renan Truffi/iG São PauloIntegrantes do Movimento Passe Livre (MPL) em parceria com o Sindicato dos Metroviários realizam protesto contra a corrupção e por um transporte público de qualidade. Foto: Futura PressManifestantes começam a se reunir no Vale do Anhangabaú. Foto: Renan Truffi/iG São PauloCerca de 15 integrantes do Movimento Passe Livre estão reunidos no Vale do Anhangabaú . Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGBandeira do Sindicato dos Metroviários de São Paulo no Vale do Anhangabaú. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG

Cerca de 20 militantes do PSTU ocuparam as galerias do plenário. O Viaduto Jacareí, onde fica a Câmara, se transformou numa praça de guerra e todas as atenções se voltaram para o Legislativo. "Já vi muitos cavalos-de-pau como este, sempre tem um motivo", disse José Américo.

O deputado estadual Carlos Giannazi (Psol), admitiu que existe uma animosidade dos manifestantes em relação ao PT. "Todos queremos a CPI. O problema é que foi proposta pelo PT e o PT tem telhado de vidro", disse ele.

O estudante de direito Murilo Magalhães, 25 anos, integrante da Anel e membro da comissão recebida por José Américo, negou que o motivo do cavalo-de-pau seja a rivalidade entre PSTU e PT. "Na opinião da Anel a questão dos transportes não é só do governo estadual, é um problema nacional e municipal", disse ele, que só admitiu ser filiado ao PSTU depois de ser questionado cinco vezes.

Ao ser informado que o presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, estaria na porta da Câmara com manifestantes, José Américo reagiu com sarcasmo. "Eu não sabia que o José Maria é secundarista".

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