Protesto desta quarta-feira teve mudança de foco do governo estadual, comandado pelo PSDB, para o municipal, liderado pelo PT

"A manifestação deu um cavalo-de-pau político e ideológico", disse o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo (PT), pouco depois de receber uma comissão de manifestantes, a maioria deles da Assembleia Nacional de Estudantes Livres (Anel), organização dominada pelo PSTU.

"Não quero pensar, por enquanto, que o motivo deste cavalo de pau é o fato de o PSTU ser oposição aos governos do PT", concluiu o vereador, ao ser questionado sobre a rivalidade entre petistas e PSTU.

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O cavalo-de-pau ao qual se referiu José Américo é um jargão do meio político que significa uma mudança brusca de rumo. No caso do protesto desta quarta-feira foi a mudança de foco do governo estadual, comandado pelo PSDB, para o municipal, liderado pelo PT.

A manifestação, convocada pelo Sindicato dos Metroviários, ligado ao PSTU, tinha como objetivo declarado protestar contra os supostos desvios de dinheiro no Metrô e na CPTM, ambas de responsabilidade do governo estadual. O PT, que aderiu à manifestação, tentou incluir o apoio à CPI para investigar o suposto cartel denunciado pela Siemens na pauta de reivindicações, mas foi derrotado.

Até a véspera os organizadores negavam que o foco fosse o governo Geraldo Alckmin (PSDB), mas logo no início do protesto vários grupos mostraram faixas pedindo a saída do governador.

A ideia inicial era caminhar pelas ruas do Centro até a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, onde foi protocolado um documento com as reivindicações.

Pelo menos 30 integrantes da juventude do PT participaram da marcha, mas só desfraldaram bandeiras do partido no final da caminhada. Segundo o secretário municipal da Juventude do PT, Erik Bouzan, disse que a estratégia era focar as reivindicações e não marcar posição. De acordo com outros petistas que preferiram não se identificar, no entanto, os militantes do partido ficaram incógnitos a maior parte do tempo devido ao temor de represálias e reações violentas como as que aconteceram em junho, quando bandeiras do partido foram queimadas na avenida Paulista.

Depois que a marcha passou pela Secretaria de Transportes um grupo de jovens ligados ao PSTU foi para a Câmara Municipal, arrastando uma multidão. Embora José Américo tenha aceitado receber uma comissão de manifestantes, muitos deles passaram a atirar pedras e bombas caseiras na fachada da Câmara. Um policial foi atingido no rosto. Outro no abdômen. A PM reagiu com bombas de gás, balas de borracha, spray de pimenta e os confrontos se espalharam pelo Centro.

Cerca de 20 militantes do PSTU ocuparam as galerias do plenário. O Viaduto Jacareí, onde fica a Câmara, se transformou numa praça de guerra e todas as atenções se voltaram para o Legislativo. "Já vi muitos cavalos-de-pau como este, sempre tem um motivo", disse José Américo.

O deputado estadual Carlos Giannazi (Psol), admitiu que existe uma animosidade dos manifestantes em relação ao PT. "Todos queremos a CPI. O problema é que foi proposta pelo PT e o PT tem telhado de vidro", disse ele.

O estudante de direito Murilo Magalhães, 25 anos, integrante da Anel e membro da comissão recebida por José Américo, negou que o motivo do cavalo-de-pau seja a rivalidade entre PSTU e PT. "Na opinião da Anel a questão dos transportes não é só do governo estadual, é um problema nacional e municipal", disse ele, que só admitiu ser filiado ao PSTU depois de ser questionado cinco vezes.

Ao ser informado que o presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, estaria na porta da Câmara com manifestantes, José Américo reagiu com sarcasmo. "Eu não sabia que o José Maria é secundarista".

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