Luís Roberto Barroso, que tomou posse em junho no STF, fez um discurso duro sobre o sistema político brasileiro ao analisar os embargos de declaração

O ministro do STF Luís Roberto Barroso
ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
O ministro do STF Luís Roberto Barroso

Em sua primeira manifestação no julgamento do mensalão , o ministro Luís Roberto Barroso, que tomou posse em junho, fez um discurso duro contra o sistema político brasileiro e disse que o processo terá “sido em vão” se não houver a reforma política. Ele criticou o custo astronômico das campanhas, a irrelevância programática dos partidos e o sistema eleitoral e partidário que dificulta a formação de maiorias politicas estáveis. “O julgamento, mais do que a condenação de pessoas, significou a condenação de um sistema político, eleitoral e partidário”, afirmou.

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E continuou: “A imensa energia dispendida na Ação Penal 470 terá sido em vão se não forem tomadas providências urgentes de reforma no sistema político. Sem reforma política tudo continuará como sempre foi, a distinção entre os que foram pegos e os que não foram”. O ministro disse que o mensalão foi o esquema “mais investigado de todos e o que teve a resposta mais contundente do Judiciário”. Ele lembrou ainda que a ação penal apurou desvios que teriam custado cerca de R$ 150 milhões.

Barroso lembrou outros esquemas de corrupção, como o Escândalo dos Precatórios, os Anões do Orçamento e os desvios de verbas na construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. “Não se pode fechar os olhos de que o mensalão não se constituiu um evento isolado. Ele se insere numa tradição lamentável, que vem de longe”, disse. "A corrupção é um mal em si e não deve ser politizada." Barroso disse que a sociedade tem cobrado "um choque de decência" em várias áreas.

Com Agência Brasil e Agência Estado

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