PT aposta nos protestos para abrir CPI sobre cartel do Metrô na Assembleia de SP

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Para furar o bloqueio dos aliados de Alckmin, que têm maioria na Casa, bancada petista espera que as manifestações de hoje pressionem deputados resistentes

O Sindicato dos Metroviários e o Movimento Passe Livre (MPL) prometem levar centenas de pessoas às ruas em protesto contra as denúncias de formação de cartel e superfaturamento em contratos do metrô do governo tucano. Na esteira dessa pressão popular, o PT espera conquistar as dez assinaturas que faltam para viabilizar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue os contratos. “Estamos solidários aos manifestantes e confiantes que esse processo de mobilização possa pressionar a base a dar as assinaturas que faltam”, disse o deputado Gerson Bittencourt (PT).

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O requerimento defendido pela liderança petista na Casa já conta com 26 assinaturas e é rechaçado pela liderança do governo e do PSDB, que entende não haver fatos novos para abrir uma comissão. O líder do governo na casa, o deputado Barros Munhoz (PSDB) diz que, como as denúncias já estão sendo investigadas pelo Ministério Público, a Casa não teria mais papel no processo investigatório. “Quando a gente faz uma CPI, entre as providências a serem tomadas está encaminhar o resultado para o Ministério Público e Corregedoria Geral da Administração, instâncias que já estão investigando.”

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Mesmo sem CPI, a bancada do PT já está trabalhando para expor as denúncias publicadas após a Siemens fazer um acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em que detalhou um cartel para superfaturar contratos do metrô e CPTM desde 1999, no governo Mário Covas (PSDB, morto em 2001). Ontem, na Comissão de Transportes e Comunicação da Assembleia, os petistas conseguiram aprovar convites para ouvir o presidente da Siemens no Brasil, Paulo Stark, o secretário estadual de Transportes, Jurandir Fernandes, e o presidente do Cade, Vinicius Marques de Carvalho. Todos para explicar as denúncias feitas pela empresa.

Apesar de considerar os requerimentos aprovados uma vitória, Bittercourt insiste na criação da CPI. “Dá para fazer um trabalho adequado, mas não suficiente. Na Comissão, as questões avançam, mas não resolvem, por que o instrumento correto é a CPI”, defende.

Para o protesto de hoje, o MPL convoca os manifestantes para “uma mobilização na luta por um transporte verdadeiramente público, organizado de acordo com os interesses dos seus trabalhadores e usuários, e não pelo lucro das empresas e políticos”. Em nota, o movimento diz que “enxerga a corrupção como só mais um elemento da lógica privatista que rege o transporte, em detrimento das necessidades da população”, e que vê a corrupção como um problema estrutural, presente não apenas na denúncia da Siemens.

O vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sérgio Renato Magalhães, reforçou o argumento de que a CPI do cartel em São Paulo não é o foco principal das manifestações, embora o PT tenha tentado incluir o tema na pauta de reivindicações. “Não estamos jogando nosso peso na CPI porque achamos que é um desvio levar o assunto para esse parlamento carcomido”, justificou Magalhães. Ele afirmou que o sindicato vai protocolar um documento na Secretaria de Transportes Metropolitanos com a pauta de reivindicações.

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