Petistas e tucanos tentam romper segredo de investigações do Metrô

Por Wanderley Preite Sobrinho , iG São Paulo | - Atualizada às

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PT vai recorrer ao procurador-geral de Justiça para ter acesso ao resultado de inquéritos que anteciparam as revelações da delação premiada da Siemens

Enquanto o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), promete recorrer da decisão judicial que lhe impede de ter acesso às investigações do cartel do Metrô, a bancada petista de deputados estaduais pressiona o Ministério Público para que divulgue o resultado das investigações que anteciparam as informações repassadas à Justiça recentemente pela empresa alemã Siemens em delação premiada.

Governo: 'Se for confirmado cartel, Estado é vítima', diz Geraldo Alckmin
Juiz:
Justiça nega pedido do governo para acessar investigação de cartel

Renato S. Cerqueira/Futura Press
Movimentação de usuários na estação da Sé do Metrô, em São Paulo

O líder do PT na Alesp, deputado Luiz Cáudio Marcolino, marcou uma reunião com o procurador-geral de Justiça Márcio Fernando Elias Rosa para a manhã da próxima sexta-feira (9), quando pretende convencê-lo a derrubar o sigilo sobre 13 das 15 representações protocoladas pelo partido no MP entre junho de 2008 e maio de 2010.

“Não há razão para guardar segredo a quem solicitou as investigações”, afirma o deputado. “Temo que nossos pedidos tenham sido arquivados.”

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Algumas denúncias foram de fato arquivadas, mas outras tiveram andamento. O MP resgatou parte delas na última segunda-feira (5) e as incluiu em um hall de 45 inquéritos que serão conduzidos por dez promotores, cuja missão será investigar se o suposto cartel resultou em enriquecimento de autoridades públicas.

Esse é justamente o conteúdo de duas das 15 representações petistas. Em uma delas, de setembro de 2009, um ex-diretor da Siemens admite aos tribunais alemães a prática de suborno a autoridades brasileiras.

Das 15 representações, a Siemens aparece em quatro. Em outro inquérito, a multinacional é acusada de utilizar “consultorias internacionais para lavar dinheiro visando ao pagamento de propinas e subornos a diversas autoridades no Brasil”.

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As denúncias coincidem com as informações repassadas pela própria Siemens em delação premiada assinada no dia 22 de maio com o Ministério Público e o Cade, alvo dos tucanos. Desde então, a cúpula da empresa entregou documentos que comprovariam a existência do cartel e apontaria seus beneficiados.

O MP justifica o sigilo dos inquéritos afirmando que a quebra dele “colocaria em risco a segurança das provas e dos investigados”, razão semelhante sustentada pelo Cade para guardar segredo sobre as informações da delação.

Marcolino afirma que as 15 denúncias seriam inicialmente usadas em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que terminou barrada pelos governistas, maioria na Assembleia Legislativa. “Como não conseguimos emplacar a CPI, pedimos ao Ministério Público que investigasse.”

Para o deputado, os indícios “deveriam ter sido apurados há anos, mas foram deixadas de lado”. “É por isso o sigilo?”, reclama ele em tom semelhante ao do senador mineiro e presidente do PSDB, Aécio Neves, que na segunda-feira também alfinetou o Cade.

Enquanto petistas tentam escancarar suspeitas, no entanto, tucanos querem se previr delas: “Parece estranho que esses documentos não tenham chegado ao governo [de São Paulo]. Obviamente não podemos aceitar esse vazamento direcionado de informações.”

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