Petistas e tucano batem boca na Câmara de São Paulo sobre cartel do metrô

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Vereadores trocaram acusações sobre casos de corrupção; PT cobra investigações da Assembleia sobre denúncias envolvendo governos tucanos

Bate-boca entre vereadores do PT e do PSDB marcou a sessão desta quarta-feira (7) na Câmara Municipal de São Paulo. O líder do PSDB na Câmara, Floriano Pesaro, e os vereadores Paulo Fiorilo e Nabil Bonduki discutiram sobre as denúncias de formação de cartel para superfaturar contratos de obras do metrô no Estado. Revelado pela Siemens, empresa que fazia parte do suposto acordo, o esquema teria recebido aval do governo de Mário Covas (morto em 2001), José Serra e Geraldo Alckmin.

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Em seu discurso, o Pesaro disse que o cartel é investigado em oito Estados e que envolveria governos de diversos partidos, inclusive do PT em Salvador. Ele lembrou que no Recife, o metrô é operado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), de controle federal, e que o pagamento do contrato com a Siemens é feito com dinheiro do PAC para Mobilidade Urbana. "A pergunta que fica é: por que ninguém fala disso? Já que a Siemens afirmou fazer parte de um cartel, ela deve ser investigada em todos os negócios que mantém no país?", questionou Pesaro. Junto com Mário Covas Neto, filho do ex-governador, Pesaro fez coro à fala do governador Alckmin de que o Estado é vítima. O governo do Estado chegou a acusar o Cade de ser uma "polícia política" e de estar vazando dados seletivos, de acordo com interesses do governo federal.

Divulgação/Câmara de São Paulo
Vereadores batem boca no plenário da Câmara de Vereadores de São Paulo

Pesaro acusou os petistas de fazerem uma campanha difamatória contra o governo do Estado, em uma tática "nazista" que transforma em verdade uma "mentira contada mil vezes". "Não há nenhum tucano citado em nenhuma dessas reportagens", afirmou.

Fiorilo entrou na discussão para cobrar medidas do governo do Estado sobre as denúncias e deu o exemplo do prefeito Fernando Haddad (PT) na investigação dos contratos de ônibus na capital. "O PSDB precisa enfrentar a denúncia. O PT enfrentou a denúncia", disse. "Por que a Assembleia, que tem ampla maioria governista, não aprova uma CPI para investigar isso?" Para o petista, não é preciso citar nenhum nome, já que o esquema existiu em todos os governos tucanos. "Se os três governos do PSDB foram citados, é impossível que se tenha feito de forma etérea", atacou.

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O vereador Nabil Bonduki (PT) também cobrou investigação dos colegas deputados estaduais. "Não temos na Assembleia nenhuma CPI para investigar." Nabil comparou também a crise com a instalação da CPI dos Transportes na Câmara. "Não se pode acusar o governo do PT de impedir que se façam CPIs, porque se o PSDB, se o governador Alckmin não tem nada a temer, como o Haddad nada tinha a temer no caso dos transportes, por que ele não orienta a sua base a permitir a abertura de uma CPI sobre o caso?”, questionou.

A CPI dos Transportes foi instalada em julho, mas contou com uma manobra do governo Haddad para emplacar Fiorilo, seu aliado, no controle das investigações.

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