Após o recesso branco de duas semanas e o agendamento da liberação de emendas individuais, o governo espera um clima mais ameno para a reunião de segunda-feira

Escaldada pela difícil relação com o Congresso que se agravou no fim do primeiro semestre, a presidente Dilma Rousseff se reunirá com líderes das bancadas para tentar combinar a votação de projetos de interesse do governo. Na próxima segunda-feira (5), dia que marca o retorno do recesso informal de duas semanas Congresso, Dilma se encarregará de receber no Palácio do Planalto todos os líderes da base aliada.

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Presidente Dilma Rousseff tentará combinar votação de projetos do interesses do governo
Agência Brasil
Presidente Dilma Rousseff tentará combinar votação de projetos do interesses do governo

O governo espera que o clima para essa reunião tenha uma temperatura mais amena do que o calor que imperava no fechamento do segundo semestre. Não só pelas duas semanas de descanso, mas porque a articulação política do governo já agendou para agosto a liberação dos recursos para atender a primeira parte das emendas parlamentares individuais.

Essa primeira parcela soma R$ 2 bilhões e, até o final desse ano, a intenção é liberar a cada dois meses R$ 2 bilhões para os projetos propostos pelos deputados e senadores ao Orçamento.

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A pauta da reunião com os líderes aliados terá três temas: a votação da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), que deveria ter sido votada em julho pelo Congresso, como pressuposto para entrar em recesso, a destinação dos royalties de petróleo para as áreas de saúde e educação, além dos vetos presidenciais.

Os preparativos para a reunião já comprometem o fim de semana. Mais assuntos devem entrar na conversa, no entanto, a lista de temas deverá ser fechada no domingo à noite, quando a articulação do governo espera concluir as conversas com todas as lideranças.

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A questão dos royalties continuará sob a batuta do ministro da Educação, Aloizio Mercadante. No entanto, por decisão de Dilma Rousseff, esse deve ser o único tema no trato com parlamentares sob responsabilidade do ministro, que antes do recesso chegou a tomar a dianteira de negociações estratégicas para o governo. A orientação para o ministro é conversar com os deputados para fazer valer na Câmara o texto aprovado pelo Senado no final do primeiro semestre.

Outro ponto que tem potencial para se transformar em atrito do governo com o Congresso, na avaliação do Planalto, é o veto de Dilma Rousseff à proposta que acabava com a multa adicional de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) , em caso de demissão sem justa causa. Essa multa é devida pelos empregadores à União e seu fim foi aprovado na Câmara no início de julho.

“Esse é só um dos vetos que deve gerar problema, mas tem também a proposta que trata de autonomia dos taxistas e muitos outros”, comentou o líder do PR, deputado Anthony Garotinho (RJ).

Vetada por Dilma durante o recesso, essa proposta determina a transferência das permissões de táxi de pai para filho. Para vetar, Dilma alegou que a prestação do serviço de táxi é da competência dos municípios.

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