Objetivo da nota, que defende a manutenção de Temer como vice em 2014, é desfazer o mal-entendido com os peemedebistas

Depois de aprovar uma resolução política na qual classifica como "conservadores" partidos da base da presidente Dilma Rousseff, o PT divulgou uma nota na qual reafirma que o PMDB é o aliado preferencial do partido e defende a manutenção de Michel Temer como vice nas eleições de 2014.

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Nota assinada por Rui Falcão tenta desfazer mal-entendido com PMDB
AE
Nota assinada por Rui Falcão tenta desfazer mal-entendido com PMDB

O objetivo da nota seria desfazer o mal-entendido criado com o vazamento da resolução na imprensa. "Para desfazer informações desencontradas veiculadas nos últimos dias, o PT vem a público reafirmar sua parceria governamental e aliança eleitoral prioritária com o PMDB. Além disso, continua com a firme disposição de reeditar, em 2014, a chapa que nos levou à vitória em 2010, com a presidenta Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer", diz o texto assinado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.

A resolução política aprovada pelo diretório nacional do partido nesta segunda-feira depois de mais de uma semana de debates e várias idas e vindas diz que partidos "conservadores" com os quais o PT se aliou para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, são um empecilho à reforma política pretendida pelo PT.

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"Vitoriosos na eleição presidencial de 2002, mas sem dispor de uma maioria parlamentar de esquerda, o PT e o governo executaram uma política de alianças com parceiros que não se dispunham – nem se dispõem – a romper com os limites da institucionalidade conservadora. Naquele momento, prevaleceu a ideia segundo a qual priorizar o debate nacional sobre reforma política e radicalização democrática do Estado poderia levar o bloco progressista ao isolamento e à paralisia", diz a resolução.

O trecho fazia parte do texto-base que guiou a cúpula petista na reunião realizada em Brasília, na semana passada, e foi interpretado como uma resposta ao PMDB, que atuou no Congresso contra a reforma política sugerida por Dilma.

Alvo de polêmica interna, o parágrafo foi excluído do documento depois de ser revelado pela Folha de S. Paulo. Pela primeira vez em muitos anos o diretório nacional do PT se reuniu sem aprovar uma resolução política. Foi preciso convocar uma nova reunião na segunda-feira para aprovar o documento. No final do encontro, Falcão disse que as referências a alianças haviam sido eliminadas do documento pois não diziam qual o caminho alternativo a ser tomado. Depois de várias idas e vindas o trecho foi novamente incluído.

Além disso, outro parágrafo polêmico, que restringe aos partidos de esquerda da base (PT, PC do B, PDT e PSB) o círculo de legendas capazes de implantar o programa petista, foi acrescentado.

"As alianças para a efetivação desse programa democrático vão além dos acordos parlamentares necessários. Englobam todos os partidos de esquerda, movimentos sociais e coletivos autônomos que estejam dispostos a cerrar fileiras para defender uma pauta de reformas populares", diz o documento final.

Segundo a resolução, o atual modelo eleitoral restringe a criação de uma maioria política de esquerda. "Além da perda de credibilidade, o sistema político vigente bloqueia as chances para a formação de uma maioria mais progressista e estrategicamente articulada com o projeto que preside o país", diz a resolução.

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