Em meio à troca de farpas e disputas familiares, Osmar e Alvaro Dias estudam disputar a mesma vaga em 2014

A contar pelas intenções de candidaturas, a eleição para o Senado no Paraná terá dois irmãos na disputa pela única vaga que será renovada em 2014. O vice-presidente do Banco do Brasil, Osmar Dias (PDT), tem cultivado a ideia de disputar o Senado em uma chapa aliada à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que se lançará na campanha pelo governo. Já o senador Alvaro Dias (PSDB) pensa em renovar seu mandato numa campanha ligada ao governador Beto Richa (PSDB).

Os dois dizem evitar conversar para não gerar ainda mais conflito. “É que cada um defende uma ideia, por isso a gente tem evitado conversar simplesmente para evitar conflito. É claro que existe a família, mas existe também a política e, nesse caso, cada um ficou de um lado”, explicou Osmar Dias.

“A gente se separou depois da CPI da corrupção, quando fomos praticamente expulsos do partido. Álvaro aceitou voltar para o PSDB e eu não. Hoje eu fico observando como é que o PSDB quer criar CPIs para investigar o PT e não aceitou que investigassem o governo”, questionou Osmar.

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As divergências entre Alvaro e Osmar são parte da política paranaense. Antes aliados, os dois se separaram em 2002 devido a uma proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no governo de Fernando Henrique Cardoso. Por terem assinado a CPI, ambos sofreram processo de expulsão do PSDB e foram parar no PDT. “É claro que existe a família, mas existe também a política e, nesse caso, cada um ficou de um lado”, explicou Osmar Dias.

Desde então, os dois irmãos passaram a atuar em campos opostos e o que seria um “problema de família” precisou ser incorporado às decisões políticas locais. As divergências entre os dois irmãos sempre emergem nas conversas para definir candidatura. “Dizem que eles têm um pacto de não se enfrentarem, mas não posso dizer que isso é verdade”, comentou o deputado federal André Vargas (PT), que aguarda uma posição de ambos para definir a própria vida política. “Se Osmar vier como candidato a senador, eu trabalharei pela minha reeleição. Caso ele desista dessa ideia eu também quero disputar o Senado”, disse o deputado.

Alheio à vontade do irmão, Alvaro tem se dedicado a conversas com prefeitos do interior do Estado. Já Osmar, não tem se mexido tanto. “É que eu não tenho recesso, como ele”, alfineta. “No Senado, as coisas são mais tranquilas”, disse Osmar.

Alvaro Dias diz que “não tem cabimento” a disputa em família. “Seria muito constrangedor, seria desgastante. Além disso, a população não entenderia. A população dá muito mais valor à família do que à eleição. Se formos para o enfrentamento, periga a gente dar a vaga para outro”, avalia o senador. “A única coisa que posso dizer é que só um vai para o Senado, qual deles eu não sei”, disse. Já Osmar tem outra certeza: “Eu sou candidato ao Senado”, disse. “Isso a gente vai ter que conversar até lá. Não existe Caim e Abel. O que existe é Osmar e Alvaro”, rebate Osmar.

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