Eduardo Campos diz que debate político de 2010 'foi pobre'

Por Agência Estado |

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Provável candidato do PSB à Presidência nas eleições de 2014 crítica temas discutidos na época que Dilma foi eleita

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O governador de Pernambuco e possível candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) defendeu nesta sexta-feira (26) que as eleições de 2014 tenham um debate sobre o País "que não seja feito pela expressão de nomes ou torcidas, mas pelo pensamento estratégico que nos guie a uma mudança de patamar". Na sua avaliação, "foi exatamente isso que não aconteceu nas eleições de 2010, aonde o debate foi um dos mais pobres que já tivemos notícia numa nação do tamanho do Brasil".

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Segundo ele, as dificuldades do Brasil, hoje, se devem, "em muito", à ausência de um debate que pudesse ter "uma visão não fragmentada, não pontual". Campos fez a afirmação ao falar em um workshop do movimento Integra Brasil, organizado por empresários cearenses na Federação da Indústria de Pernambuco (Fiepe), no Recife.

O tema do workshop, "O Brasil pode muito mais", é o mesmo do slogan do PSB e de Campos. Indagado sobre o fato, o governador afirmou, em meio a uma risada: "Veja que não é um desejo só nosso, é desejo de muita gente".

Criado no ano passado pelo Centro da Indústria do Ceará (CIC) e Federação de Agricultura do Ceará, o Integra Brasil pretende percorrer todo o Nordeste e elaborar uma proposta de política estratégica nacional que passe pelo desenvolvimento da região. O documento será apresentado ao Congresso Nacional e posteriormente entregue aos pré-candidatos à Presidência da República.

Divulgação/Governo de Pernambuco
Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB

O movimento também pretende "ver de perto as grandes obras fundamentais para o Nordeste que não andam", de acordo com a idealizadora do movimento, Nicolle Barbosa, do CIC, ao citar a Transnordestina e a Integração do Rio São Francisco.

Sem filiação partidária, Nicolle acredita que o PSB é o partido que vai desenvolver o Brasil. "É uma novidade", disse ela, convicta de que um projeto socialista irá contemplar a ideia defendida pelo Integra Brasil. "O Nordeste não é um problema, é solução".

Pesquisa

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Alexandre Pereira, também demonstrou simpatia por uma candidatura socialista. "O senhor vai longe, com o apoio de todos nós e do Nordeste", disse no final da sua fala. Ele representou o governador Cid Gomes (PSB), mas explicou ser presidente do PPS-CE e que não falava em nome do governador cearense - que se mostra contrário à pretensão de Campos.

"Trouxe o abraço de Cid pela colocação do governador pernambucano como melhor governador do Brasil, mas as decisões políticas cabem ao governador e ao PSB do Ceará".

Indagado se o resultado da pesquisa CNI/Ibope o animava a alterar o lançamento de uma eventual candidatura à Presidência da República, Eduardo Campos disse que a pesquisa - que lhe deu 58% de aprovação popular - aumenta a responsabilidade da equipe com o futuro de Pernambuco e mostrou que ele estava certo ao pregar que "eleição só no tempo de eleição".

"A pesquisa me enche de compromisso de seguir trabalhando duro, como se fosse o primeiro dia de mandato, fazendo as entregas", afirmou.<p>Campos voltou a citar, na sua fala no encontro, a pequena participação do Nordeste no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e reforçou sua defesa de um pacto federativo: "o que as ruas nos pedem é isso: cidadania e serviços públicos que funcionem".

O workshop também teve a participação do presidente do BNDES, Luciano Coutinho e da economista Tânia Bacelar, considerada "guru" do governador na área econômica.

Veto

O governador pernambucano disse que não esperava o veto da presidente Dilma sobre multa do FGTS. "Preferia que não fosse (vetado)", disse, ao afirmar, no entanto, que ainda precisa verificar e compreender as justificativas do governo federal.

Sobre a aproximação do PSB com o PSDB visando às eleições de 2014, incluindo São Paulo, Campos repetiu: "sobre eleições vamos conversar em 2014". Ele voltou a negar que o partido estaria enquadrando os grupos favoráveis à reeleição de Dilma nos Estados. "Não existe nada disso", afirmou.

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