Diretor da SPTrans defende planilha em CPI dos Transportes

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Adauto Farias, convocado para prestar esclarecimentos aos vereadores, disse que empresas de ônibus deixam de arrecadar R$ 525 milhões em relação a 2005, ano de implantação do bilhete único

O diretor de gestão econômico-financeira da SPTrans, Adauto Farias, defendeu a planilha de custos divulgada pela prefeitura para explicar o preço da passagem de ônibus, e que é objeto da CPI dos Transportes na Câmara Municipal. Ao responder questões dos vereadores da Comissão nesta sexta-feira (26), Farias disse que a planilha é “padrão”, elaborada com custos teóricos, baseados no que foi estipulado em contrato e em dados coletados do mercado. “A planilha do ponto de vista técnico é bem elaborada, mas do ponto de vista leigo é de dificílima compreensão. Transformar isso num documento que todos entendam é uma meta que ainda não foi atendida.”

Leia mais: CPI dos Transportes de SP tem pedido de transparência e protesto de vereadores

Natália Peixoto / iG São Paulo
Adauto Farias, diretor de gestão econômico-financeira da SPTrans, fala à CPI dos Transportes

Farias foi alvo de uma longa sessão de perguntas dos vereadores, a maioria interessada no funcionamento da “conta sistema”, como é chamado o conjunto de complexas transações que estão no caminho do dinheiro que entra na catraca até o caixa das concessionárias e permissionárias. Antes de ser sabatinado, o diretor, que é funcionário de carreira da prefeitura, sempre em cargos ligados ao transporte, fez uma apresentação para explicar os dados pedidos pelos parlamentares.

Leia também:

Vereadora ligada a Kassab assume relatoria de CPI dos Transportes

Vereadores instalam CPI dos Transportes em São Paulo

Na explicação, Farias afirmou que as empresas de ônibus perderam 175 milhões de passageiros desde 2005, primeiro ano de funcionamento do bilhete único e da atual conta sistema. A diminuição do número de passageiros representa uma diferença de cerca de R$ 524 milhões entre a projeção de lucro dos contratos em vigência em relação ao que é efetivamente pago. Essa diferença, segundo Adauto, seria um dos fatores que leva a prefeitura a pagar R$ 660 milhões em subsídios para as empresas, apenas em 2013. “Não havia nenhuma garantia de demanda (de passageiros) nos contratos. Qualquer reclamação das concessionárias de que a garantia de rentabilidade não foi cumprida, isso não é verdade. O contrato não garante rentabilidade”, ressaltou o diretor.

A diferença entre o projetado e o tráfego de passageiros atual é explicado pela mudança na forma que a prefeitura implementação do bilhete único passou a pagar as empresas pelo número de passageiros transportados. Com a integração gratuita entre ônibus, e com os trens e metrô, controlados pelo Estado, os ônibus perderam arrecadação. Além disso, o crescimento de passageiros que usufruem da gratuidade (idosos, por exemplo) e dos estudantes, que pagam meia, a margem de arrecadação das empresas diminuiu de 57%, em 2005, para 51% por passageiro hoje. A arrecadação total dos contratos é de 18%.

Farias disse concordar que falta qualidade nos ônibus da capital, e ressaltou que o fator não é fiscalizado e nem faz parte dos critérios de remuneração. Ele defendeu o aumento da velocidade do trânsito como principal forma de barateamento do sistema, além de alguma forma de cobrança dos carros individuais. “A Av. Paulista tem oito faixas e seis são para carro. O carro tem imposto reduzido para sua aquisição. Ele está fora do debate e é preciso trazer para a discussão como fazê-lo pagar (por uma tarifa mais barata).” Ele descartou a cobrança de pedágios urbanos, por ser uma forma de exclusão de quem não tem dinheiro para circular no centro. O prefeito Fernando Haddad (PT) já propôs o "subsídio direto cruzado" com a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), uma cobrança sobre o preço do combustível usado pelos carros comuns que seria usada para subsidiara o transporte público.

Leonardo Fernandes/Divulgação
Manifestante come pizza durante sessão da CPI dos Transportes, na Câmara Municipal de São Paulo

Pizza

Durante a sessão, que começou às 11h da manhã e seguiu por toda a tarde, um grupo de manifestantes levou uma pizza para protestar contra os trabalhos da comissão, que chamam de “chapa branca”. Durante a sabatina de Farias, Germano Cruz, de 35 anos, passou em frente aos vereadores comendo um pedaço da pizza. O professor foi retirado pela segurança da Casa.

O coletivo, que se formou em uma rede social, critica a composição e os trabalhos dos vereadores e pedem uma “CPI mais transparente e mais democrática”. A professora Daniele Antunes, de 32 anos, chamou os trabalhos de “ininteligíveis” e acusou Farias de levar dados “fictícios” para a comissão.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas