Ex-candidato à Presidência evitou falar sobre futuro político e não economizou nas críticas à presidente em entrevista por teleconferência

O ex-candidato à Presidência José Serra (PSDB) atacou a administração da presidente Dilma Rousseff em entrevista na tarde desta quarta-feira (24). Ele criticou a equipe de governo e as opções políticas do Planalto. “Ninguém quer que o PT faça um grande governo, não dá para exigir isso de ninguém, mas é preciso ter algum governo. (...) Não me lembro de um governo tão fraco quanto o que está (agora)”, atacou. “O ponto mais fraco do atual governo é a capacidade de gestão”, atacou o tucano. “Tudo é prioritário. Mas quando tudo é prioridade nada é prioridade”, disse.

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O tucano José Serra
Futura Press
O tucano José Serra


Durante a conversa com a jornalistas e economistas, em uma teleconferência promovida pela GO Soluções, Serra restringiu o assunto a apenas perguntas sobre política econômica e não respondeu sobre seu futuro político no PSDB. Uma das possibilidades cogitadas é que o tucano migre para o então embrionário Mobilização Democrática, que ainda pode ser criado a partir da fusão do PPS com o PMN, e garanta um lugar na corrida presidencial do ano que vem. Serra criticou, ainda, o antecipamento das eleições de 2014, e defendeu uma “grande união” da oposição brasileira.

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Mesmo com a restrição de falar de política, Serra criticou medidas da área de Saúde, como o Mais Médicos, que chamou de “inviável” e a proposta de reforma política. “Em vez de se estar consumindo tempo e estrutura com investimento em infraestrutura, está se gastando tempo com satanização dos médicos, reforma política, como se fosse esse o pedido das ruas. E a gente sabe que não vai acontecer”, alfinetou.

Para o tucano, as manifestações recentes no País, desencadeadas pela bandeira da redução da tarifa de ônibus, refletem uma “falta de perspectiva” do jovem brasileiro. “A consequência político eleitoral disso que aconteceu é indeterminada. Quando você olha nos outros países, os efeitos são muito diferentes. Há uma indeterminação grande”, analisa.

Economia

Para o ex-governador, infraestrutura é o maior gargalo do País, que precisa mudar o eixo do seu desenvolvimento econômico. “Não digo que a substituição do eixo dinâmico seja fácil. Mas o fato é que essa estratégia de incentivar o consumo não funcionou, naturalmente. Por investimento público, eu entendo em investimento em infraestrutura, independentemente se é privado ou público”, opinou.

Serra evitou fazer uma análise pessoal do desempenho do ministro da Fazenda Guido Mantega. Disse esperar uma queda da inflação a médio prazo e que qualquer governo que assumisse depois de Lula em 2011 teria dificuldades econômicas “enormes”, mesmo ele. Apesar de admitir uma eventual dificuldade, criticou a gestão atual a qual chamou de “um governo de “grandes anúncios”, sem execução. “Eu acho que a herança do governo da Dilma para o próximo vai ser uma herança muito adversa. Sem superinflação, mas com nós enormes. Um hiato imenso na infraestrutura, que é o principal gargalo da economia hoje.”

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