Dilma conta com visita do papa Francisco e recesso para acalmar crise

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Diante das pressões do PT e de aliados por mudanças na Esplanada, interlocutores enxergam chance de adiar trocas

A visita do papa Francisco ao Brasil por conta da Jornada Mundial da Juventude e o recesso parlamentar nesta semana são tidos no governo como fatores que poderão aliviar as turbulências no campo político, potencializadas com os protestos ocorridos há cerca de um mês nas principais cidades do país. No Palácio do Planalto, interlocutores da presidente avaliam que, diante desse contexto, Dilma pode até mesmo optar por adiar a esperada reforma ministerial, apesar das pressões que tem sofrido dos partidos aliados, inclusive do seu próprio partido, o PT.

Leia também: PT vai retirar cobrança por reforma ministerial

Dilma optou por receber de forma calorosa o papa Francisco e seu discurso de acolhimento ocorreu para uma plateia de convidados no Palácio da Guanabara. Com isso, a presidente eliminou a possibilidade de que vaias, como ocorreu na abertura da Copa das Confederações, no mês passado, ou outro tipo de manifestação, tirassem a atenção sobre o discurso. A previsão é de que a presidente volte a participar da jornada somente no último dia, na missa que será rezada pelo papa em Guaratiba, zona Oeste do Rio de Janeiro.

Associated Press
Presidente Dilma Rousseff recebe o papa Francisco, no Rio de Janeiro

As pressões para que Dilma faça mudanças em seus ministérios têm ganhado corpo. O PMDB chegou a divulgar a necessidade de redução de pastas, ao mesmo tempo em que pressiona para que tenha mais cargos nas pastas que já administra.

A pressão feita pelo PT tem como alvo as coordenações da Comunicação Social do governo, hoje nas mãos da jornalista Helena Chagas, e do Ministério das Comunicações, ocupado pelo ministro Paulo Bernardo.

Embora haja um entendimento no PT de que a articulação do governo também vai mal, a maior parte dos petistas não atribui esse problema à atuação da ministra Ideli Salvatti, responsável pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI), considerada um “soldado sem armas” pelos colegas de partido.

No Planalto, no entanto, há quem entenda que a presidente deu nesta semana sinais de que Ideli pode ficar no cargo. A ministra foi a escolhida por Dilma para representá-la na reunião do diretório nacional do partido, no sábado. Ideli também fez parte da comitiva de Dilma para recepcionar o papa, ao lado de Helena Chagas, do ministro Paulo Bernardo,da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho - todos ministros citados em meio às especulações sobre nomes que podem sair ou trocar de posição na Esplanada.

No círculo mais próximo a Ideli, a avaliação é a de que contou a favor da ministra o desgaste sofrido pelo deputado Candido Vaccarezza (PT-SP) dentro do partido, com sua indicação para a coordenação do grupo de trabalho que analisará a reforma política.

Vaccarezza é um dos principais críticos da atuação de Ideli. Sua indicação, articulada com o PMDB e anunciada pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), causou constrangimento ao partido. Uma parcela da bancada petista na Câmara chegou a emitir uma nota, informando que ele não representava a legenda.

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