Erundina pode funcionar como 'embaixadora' de Eduardo Campos em São Paulo

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Deputada se disse disposta a ser “cabo eleitoral” do pernambucano, desde que isso sirva para fincar bases do PSB na região Sudeste

Entrar no principal colégio eleitoral do país é tarefa considerada das mais difíceis a serem superadas pelo governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), para viabilizar seu nome à Presidência da República. Diante desse obstáculo, os socialistas entusiasmados com o voo solo de Campos têm se movimentado no sentido de lançar luz a um antigo cargo do partido, a deputada federal Luiza Erundina, ex-prefeita da capital paulista.

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Agência Câmara
A deputado Luiza Erundina (PSB-SP)

“Ela tem se reencontrado sim com o PSB e acho que diante de tudo que ela representa, sua atuação é estratégica para formar montar em São Paulo o palanque para Eduardo Campos”, comentou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos principais aliados de Campos. Ela tem toda condição de ser embaixadora dessa candidatura em São Paulo”, comentou o deputado.

Erundina, que enfrentou os próprios colegas de partido ao se recusar ser vice do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), na campanha de 2012, por sua vez, diz que não se negará a executar a função de “cabo eleitoral” de Campos. Ela defende que o partido priorize sua estruturação na região Sudeste como estratégia para de lado o papel auxiliar e se tornar uma legenda nacional.

“Sempre fui a favor desse projeto, com ou sem candidatura. Também sou uma das que mais defende a candidatura própria do partido e é claro que Eduardo Campos tem toda condição de encarnar isso. É estratégico para o PSB fincar sua base no Sudeste, não só em São Paulo, mas também em Minas Gerais e no Rio de Janeiro”, disse.

“Aqui em São Paulo, sei que posso ser um cabo eleitoral e tanto”, destacou.

Candidatura

Ainda não há, no entanto, uma definição de como esse “capital político”, poderá ser melhor aproveitado pelo partido. Entre os socialistas, alguns defendem candidatura de Erundina ao governo de São Paulo, mas tem também os que acham que a deputada deve permanecer na disputa por uma vaga no Legislativo, quer seja como deputada federal, ou senadora.

“Ela sempre foi considerada uma referência no partido, um dos quadros mais respeitados. Acho que ela tem estofo político para disputar o cargo majoritário”, defende o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

A deputada respondeu com disposição: “Não me negaria a discutir essas hipóteses. Estaria disposta a qualquer dessas situações desde que isso seja necessário para fortalecer o partido no Sudeste”, declarou.

Nesse contexto, Erundina procurou ainda justificar sua recusa em 2012, de ser vice da candidatura de Fernando Haddad. “Aquilo eu não poderia aceitar. Não dava para aceitar ser vice em uma aliança com Paulo Maluf”, lembrou.

Capital político

O protagonismo que Erundina poderá ter na campanha, na avaliação de quadros do PSB, empresta ao partido um capital político que atende também a muitas das reinvindicações presentes nas manifestações.

Erundina preside a comissão que analisa a reforma política por meio da participação popular é autora do projeto que resultou na criação da Comissão de Legislação Participativa (CLP), órgão responsável por receber e encaminhar as propostas de iniciativa popular.

Foi por meio da CLP, por exemplo, que a Lei da Ficha Limpa começou a tramitar no Congresso, antes de se tornar a primeira lei aprovada no Brasil, gestada pelo povo.

Campanha

Os socialistas e a própria deputada ainda enxergam uma possibilidade de trazer para a campanha um entendimento melhor que o do governo federal sobre o que se ouviu durante os protestos. Na avaliação de Erundina, se Campos tem intenção de realmente competir, deve abandonar o discurso de “fazer o mesmo e melhor” e propor algo novo, que “renove a esperança”.

“Para fincar nossas bases no Sudeste, o PSB precisa procurar os movimentos sociais e ouvir melhor o que as ruas estão pedindo. Se ele (Eduardo Campos) continuar com esse discurso, não vai dar. Nós temos que entender que houve um descolamento entre o PT e o que pensa o povo e nós não podemos fazer o mesmo”, disse a deputada.

Erundina não poupou o PT e a própria presidente de críticas. “Ninguém foi às ruas pedindo reforma política”, destacou. “Um ou outro tema esbarrava nesta questão, como é o caso da corrupção. Mas as pessoas estavam querendo melhoria urgente nos serviços prestados pelo Estado. A presidente parece que não ouviu”, criticou.

“Eu acredito que as manifestações não vão parar. Não é que a sociedade está demandando coisas impossíveis de serem feitas. É que não se ouviu. Uma ou outra proposta sugeria reformas, mas não é isso que a população quer. Não adianta mais querer formar cortinas de fumaça”, considerou a deputada.

Críticas

Na última quarta-feira, Erundina participou do almoço da bancada do PSB com o governador Eduardo Campos, em Recife. No encontro, que contou com a presença de 19 dos 29 parlamentares do PSB, os deputados e senadores do partido tomaram a decisão de lançar em agosto um documento com críticas à política econômica de Dilma.

O manifesto está sendo elaborado pelo Instituto João Mangabeira, órgão de estudos do partido, e deverá conter, segundo a deputada, uma análise de conjuntura, além de alternativas do partido para “enfrentar a crise profunda” no campo econômico.

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