'Dilma é a cara das ruas, mas a máquina tritura', diz Jacques Wagner

Por Tales Faria e Rodrigo de Almeida - iG São Paulo | - Atualizada às

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Para governador da Bahia, PT é o principal alvo das manifestações pois sofre de ‘fadiga de material’ e deve apoiar a candidatura de Eduardo Campos (PSB) em 2018

Com um olho nos protestos que se espalharam pelo País e outro nos seus efeitos para as eleições presidenciais de 2014, o governador da Bahia, Jacques Wagner, reconhece que o PT se transformou no principal alvo dos manifestantes, sobretudo dos mais jovens. Em entrevista ao iG, o governador afirma que a “fadiga de material” petista diante da população é explicada pelos mais de dez anos de poder.

Jacques Wagner sublinha, no entanto, que, mesmo com o desgaste comprovado pela queda de 27 pontos na aprovação ao governo, a presidente Dilma Rousseff representa aquilo que os manifestantes têm pedido nas ruas: uma líder que se recusa a fazer a política pequena e a ceder a negociatas dos políticos tradicionais. “Se nós não mudarmos o sistema político pode sonhar com quem quiser que ninguém vai conseguir fazer nada”, sugere.

Segundo ele, o desgaste do PT se deve sobretudo ao fato de que os mais jovens não viram o partido que se notabilizou pela voz de oposição e pela boa relação com os movimentos sociais. “Na oposição você tem um microfone para protestar. Quando vira governo tem que executar aquilo que você disse e é claro que a execução não tem a rapidez e abrangência que a demanda das ruas exige. Então você vira vidraça”, afirma o governador.

Veja a entrevista:

Apoio a Campos em 2018
O tempo no poder e o desgaste daí decorrentes reforçam a tese que Wagner tem defendido na cúpula petista e nas conversas no Palácio do Planalto: o PT deve abrir mão da cabeça de chapa na sucessão presidencial em 2018 – isso se Dilma for reeleita em 2014. “A alternância de poder é o que oxigena a democracia”, diz ele. “Sou a favor da renovação por dentro, que é melhor do que por fora”.

Para ele, a “renovação por dentro” tem nome: Eduardo Campos, do PSB. Segundo Jacques Wagner, o partido deveria apoiar o governador de Pernambuco como alternativa à sucessão da atual presidente. Wagner acha, porém, que Campos errou ao se lançar já para 2014. As conversas sugerem, segundo ele, que o mal-estar gerado com os petistas pode ser revertido.

Carioca, ex-prefeito de Camaçari (BA), ex-deputado federal e ex-ministro do governo do presidente Lula (Trabalho e Relações Institucionais), o governador terminará seu segundo mandato no ano que vem. Mas promete não se candidatar. “Vou até o fim”, assegura, candidatando-se desde já a um posto no ministério de um eventual segundo mandato de Dilma.

Wagner defende o plebiscito para a reforma política, proposto pelo governo. Mas sublinha que qualquer mudança só deve valer para 2018 ou 2022.

Veja outras entrevistas:
Marina Silva: "O Congresso inviabilizou a reforma política"
Alexandre Padilha: "
Quem sabe um dia eu possa ser candidato a governador"

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