Presidente nacional do PSDB também fez propostas para reforma política e chamou programa Mais Médicos de "marqueteiro" e "paliativo"

Agência Estado

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta terça-feira (9) que espera que seu partido esteja entre aqueles que os cidadãos consideram como não corrupto. A afirmação foi feita após ele ser questionado sobre o resultado de pesquisa Ibope divulgado pela Transparência Internacional que aponta que cerca de 81% dos brasileiros consideram os partidos "corruptos ou muito corruptos" . Na prática, o levantamento mostra que quatro de cada cinco pessoas põem em xeque a base da representação política no País. "Espero que estejamos dentro dos 19%. Eu me considero", disse o tucano, após reunião da Executiva Nacional do partido em Brasília.

"É um sentimento que existe em relação à classe política como um todo. Ele é óbvio e tem que ser reconhecido. Cabe a nós fazer o que estamos fazendo aqui com propostas de transparência e ética na vida pública", acrescentou o senador que momentos antes propôs alguns temas para serem discutidos no Congresso sobre a reforma política.

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Entre os pontos propostos, está o fim da reeleição para um mandato de cinco anos; introdução do voto distrital misto; fim das coligações proporcionais; mudança no sistema de escolha e redução do número de suplentes de senador; cláusula de barreira para os partidos; e mudança no sistema de contabilidade do tempo de rádio e TV nas disputas eleitorais.

O senador também foi questionado sobre o posicionamento do partido em relação à votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o foro privilegiado de autoridades . A proposta pode ser votada nesta semana e encontra resistência de alguns setores do PSDB, que defendem que a nova regra não tenha valor sobre os processos em julgamento nos tribunais superiores. Aécio, no entanto, disse que o tema ainda está em debate dentro das bancadas da Câmara e do Senado.

"Essa não foi uma questão discutida hoje na Executiva até porque está sendo discutida na nossa bancada da Câmara e do Senado. Mas não há posição do partido em relação a essa questão", afirmou.

Médicos estrangeiros
Neves (MG) também chamou de "marqueteira" e "paliativa" a iniciativa do governo de contratar médicos estrangeiros para atuar em regiões do País consideradas carentes, no programa Mais Médicos , formalizado nesta terça-feira em medida provisória (MP) enviada ao Congresso.

"Apresenta-se esta ideia como uma solução magnífica, mas para algo que só vai acontecer em 2023. Daqui até lá, quais respostas o atual governo vai dar pela baixíssima aplicação dos recursos em saúde pública?", questionou, após encontro com integrantes da executiva nacional do partido, em Brasília. "Fazer isso sem uma discussão, sem ouvir com calma e cautela a comunidade médica é uma violência que tem de ser aqui repudiada de forma clara", acrescentou.

Aécio disse que não é contra a contratação de médicos estrangeiros, mas considera que a administração federal usa o tema de forma marqueteira. "Onde não houver médicos brasileiros, não somos contra, que venham médicos estrangeiros. Mas sem essa parafernália que estão fazendo", afirmou.

Ele fez "chacota" do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um dos nomes do PT para disputar o governo de São Paulo em 2014. "Dizem por aí que estão atrás de uma bandeira para o atual ministro da Saúde. Triste bandeira. Se essa for a bandeira com que ele pretende se apresentar ao eleitorado, se é com essa bandeira que ele pretende estrear na cena política, acho que o cenário não é muito alvissareiro", ironizou.

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