‘Daqui a pouco tem que ir para a rua de novo’, diz Tom Zé sobre reforma política

Por iG São Paulo - Julianna Granjeia, coluna Poder Online | - Atualizada às

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Cantor e compositor fala sobre a participação nas manifestações e das duas novas músicas sobre o tema

O cantor e compositor Tom Zé, 76 anos, diz estar participando da série de protestos que tomou conta do país da maneira que tem capacidade: fazendo música. Ela já lançou duas músicas sobre o tema e na próxima segunda-feira (8), disponibilizará mais uma em seu site.

Em “Povo Novo”, o cantor –que lançou o disco que deu início ao Tropicalismo, “Tropicália ou Panis et Circensis”, em 1968 (ano do Ato Inconstitucional 5), fala dos gritos na rua e da “direita (...) querendo entrar na receita”. Em “Transporte Rock”, “desafoga no transporte/tira o gás dessa tortura”. A próxima terá “Estamos aqui na rua /sem quebra-quebra ou descompostura/viemos da amargura/mas não perdemos nossa ternura”.

Ouça música "Povo Novo":

Leia também:"Fico preocupado, costumo cantar com o público ao meu lado"

“Minha participação é de fora, estou acompanhando, vibrando, fazendo música. É o apoio que tenho capacidade para dar”, afirmou o cantor ao Poder Online. Leia abaixo a entrevista:

iG: Como surgiu a primeira música sobre os protestos?
Tom Zé: Na hora que as coisas começaram, que o MPL (Movimento Passe Livre) começou a convocar os protestos, de repente, aquilo se encaixou numa demanda reprimida de todos nós. Foi uma alegria imensa ver o povo na rua, eu e Marcelo (Segreto, compositor) ficamos falando que precisávamos fazer alguma coisa. Tínhamos uma canção quase pronta, mas chegamos à conclusão de que os versos estavam ridículos com relação à força toda (dos protestos). Fomos dormir numa tristeza, no outro dia de manhã acordei com a ideia da tristeza na rua (“a minha dor ainda está na rua) e o Marcelo veio com “olha, menino, que a direita já se azeita querendo entrar na receita”. Aí ficamos contentes e já gravamos.

iG: E o que você está achando da volta das pessoas às ruas?
Tom Zé: Tem uma canção que não postamos ainda: “aqui na rua outra vez/moçada de novo/que acabou de acabou de sair da casca do ovo”. É a prova de fogo desse pessoal que não tinha tido causa para ir para a rua, tem essa emoção de participar disso. Nós, que viemos da ditadura, antes da ditadura, quanto eu trabalhava no CPC (centro de Cultura Popular) de Salvador, quando tinha uma greve, a gente ia morar na greve.

O cantor e compositor Tom Zé. Foto: Andre Conti/DivulgaçãoO cantor Tom Zé em show em 2005. Foto: AETom Zé durante show em 2005. Foto: AETom Zé grava CD e DVD em São Paulo. Foto: Augusto GomesTom Zé grava CD e DVD em São Paulo. Foto: Augusto GomesTom Zé grava CD e DVD em São Paulo. Foto: Augusto GomesTom Zé em sua casa. Foto: AEO cantor Tom Zé. Foto: DivulgaçãoTom Zé em cena do documentário 'Tropicália'. Foto: ReproduçãoTom Zé na Virada Cultural. Foto: Marco TomazzoniTom Zé e os colaboradores do EP "Tribunal do Feicebuqui". Foto: DivulgaçãoTom Zé nas gravações de "Tribunal do Feicebuqui". Foto: DivulgaçãoTom Zé grava CD e DVD em São Paulo. Foto: Augusto Gomes

iG: Estávamos em apatia política?
Tom Zé: Uma apatia muito grande. De repente, se descobriu a maneira e a necessidade de se manifestar não era só da juventude, adultos também. E, de repente, a pessoa que está na rua entra num cordão que é do contra. A Marília Moscou (socióloga Marília Moschkovich) falou sobre isso, das pessoas que foram para a rua sem saber o que foram fazer e aí tem que tomar cuidado, a direita começou a querer entrar na receita. Em São Paulo, por exemplo, a classe média chegou a fazer uma passeata a favor da ditadura na época.

iG: E o que você espera daqui pra frente?
Tom Zé: 
Não se consegue nada com facilidade, possivelmente a reforma política seria um ganho importante, mas, de repente, os partidos ligados à Presidência já botaram um freio no negócio. Querem continuar dividindo o país em currais eleitorais. Daqui a pouco tem que ir novamente para a rua com essa vontade de se manifestar.

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