Na reunião com a coordenação da bancada na Câmara, Dilma reconheceu ter se preocupado mais com a gestão, em detrimento da política

Ao receber a coordenação da bancada petista na sexta-feira (5), a presidente Dilma Rousseff disse aos parlamentares que, daqui para frente, dará mais atenção à política. Segundo interlocutores, Dilma reconheceu que, até agora, seu governo falhou nesse ponto, se preocupando muito mais com a gestão e não se comunicando bem.

A presidente Dilma Rousseff
Agência Brasil
A presidente Dilma Rousseff

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Dilma disse aos parlamentares que se há uma avaliação de essa mudança pode ajudar o projeto petista, ela está disposta a assumir essa responsabilidade.

Articulação

Na reunião, a presidente fez questão de defender a ministra Ideli Salvatti, responsável pela articulação política do governo. A atuação de Ideli tem sido muito criticada por integrantes de partidos da base de Dilma Rousseff que a acusam de ser “pouco eficiente” na relação com o Congresso.

Dilma teria demonstrado inclusive que entende que até dentro do próprio PT há pessoas interessadas no cargo de Ideli e que cuidaram de “espalhar essa fama”. Segundo um participante da reunião, houve um constrangimento de alguns parlamentares no momento em que a presidente tocou nesse assunto.

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A cara feia de alguns deputados, no entanto, se desfez quando Dilma disse que a bancada na Câmara era o “esteio” de seu governo e que ela tinha consciência de que sempre pode contar com a bancada petista.

A mudança na forma de agir da presidente tem se mostrado nas últimas duas semanas. Em duas semanas, Dilma abriu seu gabinete e as residências oficiais para encontros com líderes da base aliada, presidentes de partidos e para movimentos sociais. A presidente não esconde que “ouviu a voz das ruas” para mudar de postura. Durante a reunião ministerial nesta semana, Dilma, que sempre escalava um ministro para falar, decidiu dar entrevista e prometeu falar muito mais com jornalistas daqui para frente.

Na reunião com a coordenação da bancada petista, a presidente também fez um relato do que pensa sobre as manifestações. Segundo petistas, ela disse entender que há acertos e erros de seu governo, mas comemora o fato de não ter visto nas ruas as demandas por “emprego, salário e falta de habitação”. Na avaliação da presidente, isso é sinal de que as principais bandeiras de sua administração estão funcionando.

Lealdade

Um momento mais tenso da reunião foi quando a presidente discutiu as “dificuldades” de se ter um governo de coalisão. Dilma disse aos petistas que confia na lealdade do vice-presidente Michel Temer. Apesar dos episódios envolvendo a reforma política, nos quais o vice-presidente divergiu publicamente das propostas apresentadas pela presidente, perante os petistas, Dilma classificou Temer como “solidário”.

Na análise de Dilma perante os petistas, o vice tem sido vítima de uma disputa interna intensa dentro do PMDB e, por isso, não tem conseguido segurar a bancada na Câmara. Segundo interlocutores, um petista chegou a dizer que Temer era muito “educado”, pensamento que contou com imediata reação da presidente. “Eu não estou falando de educação, estou falando de política”, disse a presidente.

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