Na Alemanha, ex-presidente reconhece que manifestações são legítimas e defende reforma política

Em Leipzig, Lula visitou a competição internacional de profissionais de nível técnico
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Em Leipzig, Lula visitou a competição internacional de profissionais de nível técnico

Em visita de dois dias à Alemanha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as manifestações realizadas nas últimas semanas no Brasil são legítimas, defendeu a reforma política e elogiou a presidente Dilma Rousseff. Lula deu duas palestras, uma a empresários alemães e brasileiros em Berlim, na confederação da indústria alemã (BDI), e outra em Leipzig, no WorldSkills, competição internacional de profissionais de nível técnico.

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Nos dois eventos, o ex-presidente evitou contato com jornalistas, chamou a atenção para o desenvolvimento promovido por seu governo e o da presidente Dilma, mas não escapou de debater o momento atual brasileiro. Em Berlim, ontem, onde esteve a convite do Santander, elencou conquistas do País a um grupo de 50 empresários, sem a presença da imprensa.

O iG apurou que após a palestra a apresentadora da emissora de TV alemã ZDF Dunja Hayali fez uma entrevista com o ex-presidente e o abordou sobre as manifestações que tomaram as ruas do País. Lula disse que o brasileiro está certo em protestar e admitiu que é preciso investir em saúde, educação, transporte e infraestrutura.

Em relação à atuação de Dilma, avaliou que a presidente reagiu muito muito bem politicamente à onda de protestos e mostrou que ela não está de “passagem” no governo.

Hoje, o ex-presidente falou no Fórum de Líderes do WorldSkills, em Leipzig, sobre educação profissional, em discurso em que citou a presidente Dilma cinco vezes. Ele não respondeu perguntas e os jornalistas foram orientados a não questioná-lo, mas depois do evento foi provocado pelo deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF), que brincou: “Vamos cantar Lula de novo”. O ex-presidente, que posava descontraidamente para fotos com um grupo de parlamentares que estão na Alemanha, ficou sério e respondeu: “Nada de brincar com coisa séria”.

Embora os protestos atuais não tenham sido mencionados na apresentação de Lula, esse foi o assunto da conversa reservada que teve com 10 deputados, três senadores e representantes da Confederação Nacional da Indústria ao fim do encontro. Segundo a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que esteve presente, o presidente voltou a afirmar que as manifestações reforçam a democracia brasileira e defendeu a reforma política proposta por Dilma. Lula disse que é preciso encontrar meios legais de concretizar essa reforma. Os parlamentares não citaram o nome de Dilma na conversa, mas comentaram com o ex-presidente que sentem falta de mais diálogo do governo com o Congresso.

Educação profissional

Além da participação no Fórum de Líderes, a agenda de Lula em Leipzig incluiu uma visita aos pavilhões do WorldSkills em que jovens estudantes do mundo todo competem em categorias como construção em alvenaria, eletricidade industrial, cabeleireiro e eletrônica industrial. O ex-presidente parou para observar alguns dos alunos brasileiros do Senai e Senac no campeonato.

No Fórum de Líderes, disse que se no tempo dele já existisse o WorldSkills talvez tivesse ganhado pelo menos uma medalha de bronze. O ex-presidente destacou a importância da educação profissional para a cidadania e disse que “sem profissão as pessoas não são nada”. “Eu sou o garoto propaganda dos cursos profissionais porque eu sei como ela serviu para mim”, concluiu.

Tatiana Klix viajou a convite da CNI

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