Edir Sales (PSD) era base do ex-prefeito de São Paulo e é atual aliada da bancada de Fernando Haddad (PT)

A vereadora Edir Sales (PSD) foi escolhida, nesta terça-feira (2), como a relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as planilhas que definem o valor da passagem de ônibus em São Paulo. Ligada ao ex-prefeito Gilberto Kassab, presidente do PSD, Edir agora é parte da base de Haddad e integrante da Frente Parlamentar Cristã da Câmara.

"É uma responsabilidade grande, além da medida, mas nós estamos aqui para isso", disse Edir, que promete que a comissão não corre risco de ser chapa branca e promete "imparcialidade", independentemente de fazer parte da base governista ou não. "Não houve conversar nenhuma com o Kassab."

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Com a presidência com Paulo Fiorilo, do PT de Fernando Haddad, a CPI dos Transportes iniciou os trabalhos na manhã de hoje com a promessa de abrir a "caixa preta" das empresas de ônibus da capital. Após a reunião de hoje, a CPI voltará a se reunir no próximo dia 19, quando os vereadores prometem já terem lido os documentos pedidos hoje e marcar os depoimentos dos técnicos da prefeitura e das empresas convidados.

Para a oposição, representada pelo tucano Eduardo Tuma, coube a vice-presidência da comissão, que só tem um papel diferente dos outros vereadores da comissão caso o presidente se afaste dos trabalhos. Com a escolha de Tuma, os três principais cargos da comissão ficam com os partidos dos três outros prefeitos que vivenciaram o atual contrato com as empresas de ônibus. O contrato, ativo desde 2003 na gestão de Marta Suplicy (PT), foi renovado nas gestões de José Serra (PSDB) e Kassab.

Autor de 10 dos 43 requerimentos apresentados hoje, Tuma conseguiu apenas a aprovação de um requerimento para o secretário de Negócios Jurídicos, Luís Fernando Massonetto encaminhar à CPI o teor das decisões judiciais relacionadas à licitação que renovaria os contratos de ônibus na capital, suspensa na semana passada por Haddad.

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"Os contratos foram questionados na Justiça, e é preciso saber qual foi o motivo para suspensão", defende Tuma. O tucano também protocolou o pedido para que o promotor Saad Mazloum, autor de uma investigação de irregularidades no Lotre 4 da SPTrans, fosse convidado a conversar com a CPI, para ajudar num norte investigativo, o que foi sobrestado pelo colegiado. Os outros vereadores entenderam que a presença de Mazloum no início dos trabalhos não seria útil, e portanto adiaram o convite.

Tuma disse estar frustado com as rejeições de seus requerimentos que visavam "munir documentalmente os trabalhos", inclusive pelo adiamento do convite a Mazloum. "Ele já tem um trabalho iniciado, já tem provas e documentos que podem subsidiar a CPI. A não vinda dele frusta não só a mim, frusta até o próprio promotor que já aceitou o convite." Apesar da frustação, Tuma diz que ainda é cedo para dizer que a comissão é chapa branca e promete realizar um relatório paralelo dos trabalhos.

Fiorilo defende o adiantamento da convocação de Mazloum, por entender que o promotor será mais útil depois de os documentos pedidos chegarem aos vereadores. O petista defende que, como o promotor investiga especificamente o Lote 4, seu depoimento não seria produtivo neste início dos trabalhos. "Nós não vamos querer que ele fale do Lote 4 a priori, não é esse o nosso debate, mas sim as planilhas e por luz na caixa preta", disse.

Trem e CPTM

A partir de uma ementa ao texto original da CPI, aprovada na semana passada, a comissão poderá expandir os seus trabalhos para detalhar os custos dos trens e metrôs, controlados pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Fiorilo explica que a ementa não altera o escopo da investigação pois, com a integração dos sistemas de ônibus, trem e metrô na capital a partir de 2006, houve uma unificação da tarifa, e é preciso abordar esses custos, o abre o objeto de investigação para CPTM, Metrô e EMTU.

Tuma diz defender a abertura do foco, mas teme que a essa mudança na abrangência faça a CPI virar um "instrumento de perseguição". "Se nós vamos analisar o sistema, tem que ser o sistema como um todo. O que nós não podemos é fazer da CPI um instrumento político", disse.

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