Protestos aprofundaram relação entre Alckmin e Haddad

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Governador e prefeito de São Paulo se falam com frequência para discutir problemas conjuntos

Divulgação
O governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o prefeito da capital Fernando Haddad anunciam a redução do preço da passagem de ônibus e metrô

A onda de manifestações que sacudiu o País nas últimas semanas e trouxe desgaste para toda a classe política, obrigando tanto a prefeitura quanto o governo estadual a revogarem o aumento de R$ 0,20 na tarifa de transportes públicos, serviu para aprofundar ainda mais a relação entre o prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

"Não dá nem para dizer que melhorou porque a relação já era boa desde o início mas tudo isso que aconteceu serviu para aprofundar", disse o secretário estadual da Casa Civil, Edson Aparecido.

A afinidade entre prefeito e governador é motivo de reclamações por parte de petistas e tucanos enciumados. As maiores críticas vêm do PT pelo fato de Haddad ter feito o anúncio da redução da tarifa ao lado de Alckmin em vez de capitalizar sozinho a iniciativa e passar a bomba para as mãos do tucano.

Em conversas reservadas, tucanos próximos a Alckmin admitem que Haddad poderia ter feito o anúncio sozinho e elogiam a postura "republicana" do prefeito. Isso não acontecia na gestão anterior do prefeito Gilberto Kassab (PSD), segundo tucanos.

O prefeito mandou recados aos petistas descontentes dizendo que considera injustas as críticas. Segundo ele, o preço do transporte público é uma questão de estado que não pode ser confundido com a disputa eleitoral. Haddad costuma citar ainda a postura também "republicana" de Alckmin ao atender o pedido da presidente Dlma Rousseff de adiar o reajuste para evitar impacto negativo na inflação.

De acordo com assessores de Haddad, o prefeito e o governador se falam com frequência ao telefone para discutir problemas conjuntos. Os contatos são diretos, pessoais e sem intermediários.

Interlocutores de ambos costumam ouvir elogios recíprocos apesar de a relação entre prefeito e governador ter começado poucos meses atrás, logo após a posse de Haddad, em janeiro, quando o petista foi ao Palácio dos Bandeirantes acompanhado de quase todo seu secretariado.

Na ocasião os secretários estadual Edson Aparecido e municipal Antonio Donato (Governo) foram indicados para fazer uma espécie de interface entre as duas esferas de administração.

Um dos principais sinais de afinidade foi a viagem conjunta de ambos a Brasília para tratar da questão dos precatórios com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Do ponto de vista prático, a afinidade tem gerado bons frutos. A prefeitura cedeu um terreno para que o governo leve o metrô até o Morumbi. O governo retribuiu destinando uma área para que a prefeitura construa um centro olímpico na periferia.

Segundo fontes da prefeitura, nos próximos dias a administração municipal vai dar início à construção de 22 creches parcialmente financiadas com dinheiro estadual.

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