Base de Haddad deve assumir CPI dos Transportes em São Paulo

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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O vereador Paulo Fiorilo (PT), autor da proposta, nega que sua comissão será ‘chapa branca’: 'Quem disse isso desrespeita o parlamento', disse o petista

Os vereadores de São Paulo aprovaram nesta quarta-feira (26), por 51 votos, a medida que permite a instalação de uma terceira CPI na Câmara Municipal. A decisão abre caminho para a CPI dos Transportes, que pretende investigar os contratos das empresas de transporte público na capital paulista. Quatro vereadores não votaram porque estavam ausentes no plenário.

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A sessão desta quinta-feira, antes reservada para um debate sobre Segurança Pública, deverá ser dedicada para a escolha de qual CPI os vereadores querem abrir. A tendência é que a Câmara instale a proposta feita pelo vereador Paulo Fiorilo (PT), protocolada hoje com 35 assinaturas, e apoiada por sete partidos. Como as CPIs na Casa são normalmente presididas por quem apresenta a proposta, a CPI dos Transportes deve ficar nas mãos da base do prefeito Fernando Haddad. A relatoria, segundo bastidores, caberá ao vereador Milton Leite (DEM).

Para que a CPI de Fiorilo passe, o governo precisa conquistar a maioria absoluta (28 votos) para que o requerimento fure a fila de outras 20 comissões já propostas. Dessas, duas CPIs também querem investigar os contratos de ônibus: uma do vereador Ricardo Young (PPS), com 25 assinaturas, e outra de Paulo Frange (PTB), com 19.

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Um acordo entre os líderes partidários promete garantir o quórum mesmo se a Câmara entrar em recesso após a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Ontem, o governo enfrentou dificuldades em articular contra a abertura de uma terceira comissão, dentro do próprio PT e entre parlamentares da Frente Parlamentar Cristã, insatisfeitos com os vetos de Haddad em um projeto que flexibilizaria a concessão de alvarás para templos religiosos. Mas após uma reunião com o prefeito na manhã de hoje, integrantes da frente disseram terem entendido as razões do prefeito.

Oposição na Câmara

A oposição considera uma vitória a aprovação de uma terceira CPI, mas luta para que a relatoria seja composta por um dos seus membros. O PSDB, que não assinou o requerimento, tem direito a uma vaga. "A comissão é um meio termo entre a apresentada pelo Frange e o Young, e só a partir das escolhas dos partidos iremos fazer uma radiografia de como será", diz José Police Neto (PSD).

Fiorilo nega que sua comissão será "chapa branca". "Quem disse isso desrespeita o parlamento", disse o petista, que defende a sua proposta como a melhor por ela ter um "escopo" bem definido, ou seja, um objeto de investigação específico, que seriam as tabelas de custo que determinam o valor da tarifa. "Quando você fala de planilha, está falando de sistema, é o debate focado. O custo está correto ou errado? Nós vamos discutir isso em 120 dias", disse.

Young, que já considera seu requerimento derrotado, disse que a terceira CPI faz parte da estratégia do governo "entregar os anéis para ficar com os dedos". "O governo concordou em abrir a CPI condicionalmente desde que a presidência seja de alguém com quem ele concorde", disse.

Frange ainda acredita que a sua proposta tem chances. O petebista, membro da base do governo, apresenta o mesmo pedido desde 2001, quando a SPTrans foi criada, por considerar a composição da tarifa um tema "tabu". Sobre a diferença entre as propostas, Frange não considera que existam grandes diferenças. "Pode haver diferenças talvez na forma em que elas serão comandadas, mais ou menos agressiva", acredita. "Qualquer um dos três têm condições de conduzir tranquilamente."

A sessão de hoje aconteceu com um clima tumultuado, com as galerias tomadas por representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do Ipiranga (MSTI) e por representantes do Movimento Passe Livre (MPL), que cobravam os vereadores nominalmente pela aprovação. Nesta quinta-feira, os manifestantes devem se reunir novamente para garantir a aprovação da CPI.

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