Serra questiona anúncio de Dilma sobre transporte: "R$ 50 bilhões não existem"

Por Agência Estado |

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Em entrevista na TV, ex-governador de São Paulo critica projeto de trem-bala e diz que ciclo de desenvolvimento econômico brasileiro acabou

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O ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), questionou o anúncio da presidente Dilma Rousseff (PT), de que irá destinar R$ 50 bilhões para investimentos em transporte coletivo. "Esses R$ 50 bilhões não existem, é apenas um anúncio. Onde eles estão? No cofre? No BNDES?", indagou ao participar do programa Roda Viva, na TV Cultura, na noite desta segunda-feira.

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Para ele, uma das soluções para melhorar o transporte seria interromper a construção do trem-bala entre São Paulo e o Rio de Janeiro. "Se fosse eu, amanhã cancelaria o trem-bala e anunciaria que tudo iria do trem-bala para o metrô", disse, após citar que o projeto deve consumir cerca de R$ 70 bilhões no total.

Questionado se é possível tornar o transporte coletivo gratuito, como pedem alguns dos manifestantes dos protestos que tomar as ruas de diversas cidades brasileiras nos últimos dias, Serra disse apenas que, nesse caso, o transporte teria de ser estatizado. Ele disse já ter defendido a redução de impostos dos transportes como maneira de reduzir o preço. "Se você tirar impostos, você pode diminuir (o preço). Eu já defendi isso", afirmou.

Desenvolvimento econômico

Serra (PSDB) afirmou que o atual ciclo de desenvolvimento econômico brasileiro acabou. Para ele, esse momento que se encerra teve início com o lançamento do Plano Real, no início dos anos 1990, que foi capitaneado pelo seu correligionário, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Acabou o ciclo no Brasil. Não é um juízo de valor, é uma constatação", afirmou. "Tem que fazer outro (ciclo), esse acabou", concluiu.

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Apesar de defender que o ciclo tenha se encerrado, ele disse não achar impossível que a presidente Dilma Rousseff (PT) possa ser reeleita em 2014. "A tradução disso na política não é mecânica. Não acho impossível que se reeleja. Estamos analisando com os dados de hoje", disse.

Para ele, mesmo com o suposto fim do ciclo, o PT ainda tentará continuar no poder. "O PT fará o possível e o impossível para ficar no poder", disse, citando a possibilidade, inclusive, de relançarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2014 para presidência.

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