Manobra adia votação da CPI dos Transportes na Câmara de São Paulo

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Abertura de comissão para investigar os contratos de transporte na capital paulista pode ficar para o segundo semestre; MPL participou das reuniões e pressiona pela CPI

Após uma manobra da base do governo, a Câmara de São Paulo adiou a votação que permitiria a abertura de uma terceira CPI na Casa. Na tarde desta terça-feira (25), o colégio de líderes argumentou que a CPI dos Transportes, para investigar os contratos de transporte público na capital paulista, pode ser decidida pelo plenário. Para o presidente da Casa, o vereador José Américo (PT), não houve manobra, mas uma "obstrução regimental".

Transporte público: Haddad e Alckmin anunciam redução no preço da passagem

No Estado: Em resposta a manifestações, Alckmin defende 'pacto' pela reforma política

Estradas: Governo de São Paulo suspende reajuste dos pedágios nas rodovias estaduais

O aumento da tarifa de transportes foi o estopim das manifestações que começaram em São Paulo e se espalharam pelo País. A onda de protestos resultou na revogação do aumento em várias capitais e outras cidades e abriu a discussão sobre a "caixa-preta" das concessionárias.

A corrida para instalar a CPI ocorre uma semana antes de a Câmara entrar em recesso. Antes da pausa prevista para julho, a casa precisa votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que se colocada em pauta na sessão ordinária impediria o prolongamento da sessão, e impediria a votação da CPI ainda no primeiro semestre.

"Foi lamentável", disse o vereador Ricardo Young (PPS), autor de uma das propostas de CPI que pode ser votada. "O prefeito já demonstrou um certo distanciamento quando não entendeu a natureza do movimento, e agora é a base que está mostrando o mesmo", disse.

Veja quem são os vereadores que apoiam a CPI dos Transportes

"A nossa esperança é votar a CPI amanhã", disse o líder do PSDB Floriano Pesaro, que defende que a oposição obstrua os trabalhos caso a LDO entre na pauta. Pesaro também pede o afastamento do secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, para que haja uma "CPI de verdade". Para o PSDB, Jilmar não quer uma investigação por ser o autor dos contratos com as empresas de ônibus durante o governo Marta Suplicy, em 2004.

Já o líder do governo Arselino Tatto (PT), irmão do secretário, disse estar tranquilo com a abertura das informações, já que o governo de Fernando Haddad (PT) nunca assinou nenhum contrato, e pelo contrário, propõe novas licitações. Os contratos atuais, segundo Arselino, teriam sido firmados pela gestão anterior, de Gilberto Kassab (PSD), enquanto ele era aliado tucano.

O vereador Alfredinho, líder do PT, defendeu a manobra para evitar a votação que, segundo ele, não seria ideal porque não há acordo entre os líderes para que uma comissão funcione adequadamente. "Se não tiver acordo de líderes, as coisas não funcionam. Não adianta a gente abrir a CPI aqui só porque eu sei que a população está pedindo e depois não chegar no resultado que se deve chegar. CPI é coisa séria, tem que ter fatos."

Alfredinho diz que as acusações de altas margens de lucros dos empresários do ônibus são insuficientes para abrir uma investigação, já que a prefeitura divulga os dados dos contratos. "É preciso ter objeto direto. Alguém precisa dizer que os empresários estão cometendo algum tipo de fraude no lucro", defendeu.

Para se aprovar a criação da CPI, são necessários 28 votos. A base do governo conta com 42 dos 55 vereadores, e pode barrar o requerimento ainda nesta primeira fase. No plenário, entretanto, os parlamentares se mostraram dividos. Parte da insatisfação se deve aos vetos do prefeito Fernando Haddad a um projeto que flexibilizava a concessão de alvarás para igrejas, o que desagradou a Frente Parlamentar Cristã em Defesa da Família de São Paulo, responsável por 16 membros da Casa.

Para Mayara Vívian, representante do Movimento Passe Livre (MPL), as recentes manifestações que pararam São Paulo são fundamento suficiente para abrir a comissão. "300 mil pessoas na rua não é embasamento sólido? O povo precisa entender como é calculada a tarifa e qual é a margem de lucro que é tomada dele", disse. Mayara e outros representantes estiveram presentes na sessão plenária e no colégio de líderes que definiu a entrada da CPI na pauta da Casa. Enquanto os líderes discutiam se levavam o pedido ao plenário, um protesto com cerca de 20 pessoas fazia barulho na frente da Câmara, sob chuva e frio.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas