Protestos podem acelerar formalização da Rede, dizem aliados de Marina Silva

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

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Integrantes do novo partido dizem que Marina tem uma interlocução mais afinada com os grupos que organizam as manifestações do que os partidos políticos tradicionais

A Rede Sustentabilidade decidiu não participar formalmente das manifestações que tomaram o país nas últimas semanas. No entanto, aliados da ex-senadora Marina Silva avaliam que os protestos podem ajudar o processo de formalização do partido que, na quinta-feira, sofreu um revés na Justiça.

Natália Peixoto / iG São Paulo
Ao comemorar as 500 mil apoios, Marina teme que a Rede seja prejudicado por projeto sobre partidos

“Talvez estes protestos acentuem ou acelerem o processo de constituição do partido”, disse Cássio Martinho, porta-voz da Rede.”Mas é bom deixar claro que todas nossas opiniões tem que ser consideradas provisórias pois as coisas ainda estão acontecendo”, acrescentou.

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Martinho evitou fazer prognósticos sobre o impacto eleitoral dos protestos, até porque Marina e a Rede têm criticado a antecipação da disputa presidencial.

No entanto, pesquisa do Datafolha aponta que Marina tem 22% da preferência dos manifestantes de São Paulo, atrás apenas do presidente do STF, Joaquim Barbosa, que ao menos por enquanto não é candidato, e doze pontos percentuais à frente da presidente Dilma Rousseff, que tem 10%. O tucano Aécio Neves aparece com 5%.

Embora evitem falar em eleições, integrantes da Rede sabem que Marina tem uma interlocução mais afinada com os grupos que organizam os protestos do que os partidos políticos tradicionais.

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“As manifestações reconfiguraram todo o contexto político brasileiro de uma vez só”, disse Cássio Martinho. “Estes grupos que a Marina costuma chamar de movimentos de borda, pois atuam fora da institucionalidade, participaram da formação da Rede”, completou.

A própria Marina, em vídeo divulgado no Youtube sexta-feira passada, avaliou que os partidos políticos tradicionais foram colocados em xeque com os protestos.

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“Sempre disse que era um erro tratar estes movimentos como se fossem apenas virtuais”, disse Marina. “As pessoas não estão suportando mais esta situação de impotência para transformar o que elas querem que seja transformado. O monopólio dos grandes partidos as coloca apenas como expectadoras da política”.

A Rede sofreu um revés nesta quinta-feira com a decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a liminar do ministro Gilmar Mendes que impedia a tramitação no Congresso de um projeto que limita a criação de novos partidos. Isso deve dificultar a formalização da Rede.

Apesar da derrota, os aliados de Marina estão confiantes de que o partido será oficializado até outubro. Segundo fontes do partido, existe uma grande articulação no Senado, incluindo senadores de partidos da base do governo, para que o projeto que limita a criação de partidos seja derrubado. Um arsenal jurídico está pronto para ser usado.

A prioridade agora é conseguir mais 300 mil assinaturas para a formalização do partido. A Rede precisa de 498 mil, já tem mais de 550 mil, mas quer garantir uma margem de segurança para casos de problemas formais.

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