São Paulo tem protesto contra Feliciano e projeto da 'cura gay'

Por Renan Truffi - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Projeto aprovado na Comissão de Direitos Humanos, presidida pelo deputado e pastor, permite terapias para tratar a orientação sexual

Cerca de 4 mil pessoas se reuniram no início da noite desta sexta-feira (21), na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, para protestar contra o presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados, deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), e o projeto apelidado de cura gay, proposta que autoriza terapias para tratar orientação sexual.

Tempo real: Siga as manifestações em São Paulo

Leia mais: Feliciano pede ‘juízo’ a ministra que criticou aprovação da ‘cura gay’

Leia mais: Ministra de Direitos Humanos diz que vai trabalhar contra projeto da 'cura gay'

Poder Online: Comissão de Direitos Humanos aprova projeto da cura gay

SP: Manifestantes se dizem contra partidos e são ironizados por anarquistas

Renan Tuffi/iG
Manifestantes protestam na Praça Roosevelt contra Feliciano e o projeto de 'cura gay'

O projeto foi aprovado pela CDH, mas ainda precisa passar por análise da Comissão da Constituição e Justiça. Os manifestantes contra a "cura gay" criticam que a proposta é um "retrocesso". "Vejo com muita tristeza. É um retrocesso muito grande. Precisamos que ele cure a violência, os hospitais, o transporte público. Nós não somos doentes", critica Agripino Magalhães, ativista do movimento LGBT de São Paulo.

Fabiana Oliveira, de 25 anos, e Fabiana Pires, de 27 anos, moram juntas e são mães de Gabriela, de 10 anos, e Guilherme, de 12 anos. Elas dizem sempre participar de atos com a pauta gay e desta vez tiveram o incentivo da filha. "Ela (Gabriela) estava louca para vir. Usamos ele como exemplo (contra a cura gay). Vivemos com a diversidade dentro de casa", contou Fabiana Oliveira.

De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), a proposta prevê a suspensão da validade de dois artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor desde 1999. Um dos trechos é o que proíbe os profissionais de participar de terapia para alterar a orientação sexual e de atribuir caráter patológico (de doença) à homossexualidade. Atualmente, os profissionais também não podem adotar ação coercitiva a fim de orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

Protesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Iran GiustiProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Iran GiustiProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Iran GiustiProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Iran GiustiProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Iran GiustiProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Futura PressProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Futura PressProtesto contra o projeto de Cura Gay, em São Paulo. Foto: Futura Press

A manifestação ocorreu ainda em parceria com profissionais de saúde que pedem o veto do PL 268, conhecido como Ato Médico. A principal reclamação é que, caso o projeto seja sancionado pela presidente Dilma Rousseff, a atuação dos profissionais de saúde será cerceada.

"O Ato Médico vai restringir muito a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) porque as pessoas passam a ter que depender do médico para poder usufruir dos serviços. Vai expropriar a saúde da população", explica o psicólogo Sérgio Garcia, de 33 anos.

Apesar de terem marcado o protesto juntos, o grupo de profissionais da saúde que estão contra o Ato Médico decidiu se separar do movimento LGBT na hora da passeata. Em cerca de 150 pessoas, eles partiram rumo à avenida Paulista, pela Consolação, por volta de 19h. Eles usaram a faixa da direita da pista sentido Rebouças para chamar atenção dos motoristas.

Já o movimento LGBT discutiu por algum tempo porque parte dos integrantes defendia que o ato permanecesse o tempo todo na Praça Roosevelt. Mas, cerca de 30 minutos depois do início da caminhada dos profissionais de saúde, eles também decidiram andar até a Paulista prlo mesmo caminho.

No trajeto, as músicas contra o Pastor Feliciano eram as mais cantadas. "Feliciano, pode esperar, a sua hora vai chegar". Ainda assim, como tem acontecido em todos os protestos na capital paulista, os cantos do Movimento Passe Livre foram adaptados para as novas reinvindicações. "Vem, vem para rua, vem sem preconceito", entoaram.

Depois de entrar na Paulista, o protesto ainda seguiu até o Museu de Arte de São Paulo, onde permaneceu bloquendo ambos os sentidos da avenida por aproximadamente uma hora. Enquanto isso, grupos retardatários foram chegando. Para terminar, os manifestantes voltaram a caminhar, mas desta vez no sentido contrário, rumo à Consolação. Eles entraram, então, na rua Augusta, sentido centro, para chegar até a Roosevelt novamente.

Leia tudo sobre: felicianocura gayigspigay

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas