Deputada, que tentou implantar o passe livre quando foi prefeita da capital paulista, criticou postura ambígua do prefeito e o uso da PM de Alckmin para resolver 'problemas sociais'

Brasil Econômico

Erundina defendeu diálogo com manifestantes em São Paulo e criticou Haddad e Alckmin
Agência Brasil
Erundina defendeu diálogo com manifestantes em São Paulo e criticou Haddad e Alckmin

Quando era prefeita de São Paulo no fim dos anos 80, Luiza Erundina encampou o Passe Livre como o carro chefe de sua gestão. A ideia era simples, mas parecia ao mesmo tempo promissora, factível e revolucionária: diluir o preço das passagens no IPTU. O projeto acabou não vingando por falta de apoio na Câmara Municipal e na opinião pública, mas se transformou na semente teórica por trás do movimento que tem ocupado a cidade as capas dos jornais.

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“O passe livre é uma solução criativa, ousada e que precisa ser adotada”, disse Erundina, hoje deputada federal do PSB, ao Brasil Econômico. Nessa entrevista exclusiva, ela critica duramente a postura do prefeito Fernando Haddad - de quem desistiu de ser vice nas eleições passadas  após a aliança do PT com o partido de Paulo Maluf - e a violência da PM do governador Geraldo Alckmin.

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Brasil Econômico: A senhora foi prefeita e conheceu por dentro as finanças de São Paulo. É possível acabar com a cobrança da tarifa de ônibus?

Luiza Erundina: O Passe Livre é uma solução criativa, ousada e necessária. Quando eu era prefeita, o projeto consistia em diluir o valor do custeio do sistema de transporte no IPTU. Seria criado um Fundo do Transporte. Isso socializaria o custo do serviço público. Uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional) de minha autoria que tramita na Câmara abre caminho para isso. Ela reconhece institucionalmente o transporte como direito social, assim como saúde e saneamento.

Brasil Econômico: Por que não conseguiu implantar o Passe Livre em seu governo?

Luiza Erundina:  Faltou apoio político da base aliada e do próprio PT. Eu era prefeita do partido, mas o partido nunca assumiu meu governo como sendo dele.

Brasil Econômico: Como avalia a postura do prefeito Fernando Haddad (PT) em relação às manifestações?

Luiza Erundina:  Haddad adotou uma postura muito conservadora. Diz que apoia a liberdade de expressão, mas defende a repressão policial. Sua posição é ambígua e isso me preocupa. Outra coisa foi sinalizada por ele na campanha, por isso o apoiei. O prefeito devia também estar mais aberto ao diálogo. Devia chamar os líderes do movimento para um conversa de igual para igual. O governo dele não é democrático.

Brasil Econômico: E o governador Geraldo Alckmin?
Luiza Erundina: A postura dele é a mesma de sempre: chamar a PM para resolver problemas sociais.


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