Coordenadora das investigações sobre a violência cometida no campo, Maria Rita Kehl planjea checar informações que considera importantes no relatório

A análise sistemática do Relatório Figueiredo pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) deverá começar somente no segundo semestre, quando a psicanalista, Maria Rita Kehl, coordenadora das investigações sobre a violência praticada no campo se dedicará à análise da parte indígena das apurações. Nesse momento, ele está mais dedicada a apurar as violações de direitos humanos contra camponeses no período da ditadura militar.

“Tive que separar as duas investigações para me dedicar exclusivamente a uma e depois outra. O objetivo é ter uma visão mais sistematizada do que ocorreu”, disse a psicanalista.

A análise da parte indígena, ela acredita que deverá ter início em setembro. Até agora, um técnico da comissão foi designado para ler o documento que ficou desaparecido por 45 anos.

Leia mais:

Relatório ‘perdido’ aponta atrocidades contra índios no Brasil

Relatório Figueiredo: 'Estamos falando de chacinas', diz governo

Relatório mostra que conflito de terras indígenas no MS remonta aos anos 1950

Assassinatos de indígenas no Brasil crescem 269% nos governos Dilma e Lula

Maria Rita Kehl acredita que o documento terá muita importância para a investigação a ser feita, mas é importante que se entenda que é um documento “desigual” e por essa característica deverá ser necessária a realizações de investigações para checar histórias contadas pelo comandadas pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI).

“É um documento amplo, muito extenso, uma vasta investigação realizada pelo procurador Jader Figueiredo para apurar denúncias de irregularidades no Serviço de Proteção ao Índio. É um relatório desigual e por isso é necessário que tenhamos o cuidado de analisa-lo porque muitas denúncias que podem estar ali podem ser fruto de intriga, outras não”, disse a psicanalista.

O relatório, que se julgava ter sido destruído em um incêndio no Ministério da Agricultura, em junho de 1967, foi encontrado intacto, no Museu do Índio, no Rio de Janeiro. O documento, a que o iG teve acesso, aponta o extermínio de tribos indígenas inteiras, métodos cruéis de tortura praticados contra índios, principalmente por interessados em suas terras e com o aval do Estado. As primeiras informações sobre a existência do relatório foram noticiadas, em abril, pelo jornal O Estado de Minas.

As torturas e as chacinas eram cometidas com o apoio do SPI, órgão criado em 1910, quando várias frentes de expansão avançavam para o interior do país. O SPI era ligado ao Ministério do Interior e funcionou até 1967, quando foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

O documento leva o nome de seu autor, o procurador Jader de Figueiredo Correia, que morreu em um acidente de ônibus em 1976, aos 53 anos e aponta que o órgão que seria responsável por proteger os índios das violações deu aval para a violência cometida pelas chamadas “frentes civilizatórias”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.