Eduardo Cunha articula novo foco de tensão com o Planalto

Por Nivaldo Souza - iG São Paulo |

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Líder do PMDB orienta obstrução em comissões e no plenário da Câmara para pressionar governo a ceder, especialmente em artigos da MP dos Portos

A tensão entre o Palácio do Planalto e a Câmara está ganhando um novo capítulo nesta semana, envolvendo os vetos presidenciais sobre alterações feitas por parlamentares em medidas provisórias de autoria do Executivo. O passo principal é dado na Câmara por orientação do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), conforme apurou o iG.

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Cunha está articulando para obstruir as pautas de votações em comissões mistas, como a do orçamento (CMO), e do plenário da Câmara. O movimento já foi percebido pela base petista, o que levou o presidente da Casa, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a se comprometer em definir um sistema de votação de vetos presidenciais acumulados para evitar o travamento da pauta.

Alves e Renan Calheiros (PMDB-AL) se reúnem nesta quarta-feira (12) para definir um cronograma de votação dos vetos. Cunha, contudo, pressiona para que a ordem seja a partir do último veto feito pela presidente Dilma Rousseff, que retirou da MP dos Portos trechos alterados pela Câmara.

Entre os peemedebistas ligados a Cunha, o argumento é de que o movimento do líder da principal legenda de apoio ao governo petista é para "acabar com a ameaça dos vetos". Ou seja, a intenção é eliminar a pressão exercida pelo Planalto para que as medidas provisórias de sua autoria sejam aprovadas sem emendas, as quais o governo veta na maior parte das vezes.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), conhece o movimento e indica que "uma solução" sobre o rito de apreciação dos vetos deverá ser apresentada ainda nesta semana.

Mais: Divergências na aliança PMDB-PT abrem espaço para Aécio e Eduardo Campos

Comprando briga

A investida sobre os vetos é feita oficialmente com o argumento de que a ação não é contra o governo, mas na direção da autonomia do Congresso. Mas peemedebistas comentam sob sigilo que a motivação real é "chamar o governo para a briga" e mostrar que ele está ficando isolado.

A "briga" será, caso atingido objetivo peemedebista, de fazer a presidente Dilma negociar a relação com o Congresso.

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