Para deputados, reunião de Dilma com PMDB foi 'avanço' e 'bom começo'

Por iG São Paulo |

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Após encontro, o presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB-RN) comemorou a disposição da presidente em melhorar o diálogo com o Congresso

Um dia depois de ter participado da reunião entre a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer, e os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), comemorou a disposição da presidente melhorar o diálogo com o Congresso.

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Uma prova disso, segundo Alves, foi o envio ao Congresso da proposta do novo Código de Mineração na forma de projeto de lei com urgência, em que os deputados têm poder de deliberação, e não como Medida Provisória (MP).

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“É um avanço significativo na hora em que presidenta respeita um pleito desta Casa, discute um pleito com tanta capilaridade, tanta importância, que é o Código de Mineração”, ressaltou o deputado. "Isso dará oportunidade ao Parlamento de mostrar que dessa maneira pode haver melhor resultado na produção, agilidade e competência.”

Antonio Cruz/ABr
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)

'Pontapé inicial'

Lideranças do PT e do PMDB na Câmara dos Deputados, Casa apontada como maior foco de tensão entre o Legislativo e o Palácio do Planalto nas últimas semanas, avaliaram como positivo o encontro com Dilma.

Os deputados acreditam que Dilma deu o "pontapé inicial" no processo de recomposição da base governista, principalmente na Câmara. "É uma sinalização positiva para a base aqui no Congresso", opinou o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).

O petista definiu o encontro de Dilma com os peemedebistas como "um bom recomeço". "A presidente entende que a relação com o PMDB precisa ser aprimorada. Há de se dialogar, sobretudo com a bancada dos deputados. A relação não pode ser só com os dois presidentes (Renan e Alves)", ponderou.

Embora não tenha participado do encontro, o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), que já foi apontado pelo governo como "foco da discórdia" na base, negou que o teor da conversa tenha envolvido a relação com o seu partido e sim a manutenção da "relação institucional" entre os poderes. "Existem problemas que têm de ser rebatidos. (A conversa) é a continuidade de um debate que não deveria parar nunca", observou.

Para Cunha, o diálogo "ajuda a distensionar as relações e melhorar a produtividade nas Casas". "Acho que foi uma evolução do debate que aconteceu nas últimas semanas sobre alguns equívocos e formas de evitá-los. Acho que foi promissor", emendou.

Quanto à promessa do governo de reduzir o volume de edição de Medidas Provisórias (MPs), o líder do PMDB mostrou-se cético. "Mandar dez ou mandar oito não muda muita coisa", disse. O líder fez coro aos colegas da Casa e reclamou do rito das MPs no Congresso, que pode sofrer mudanças se for aprovado o projeto de lei do senador José Sarney (PMDB), desengavetado recentemente por Henrique Eduardo Alves. "Tem de votar alguma coisa para resolver isso (demora na apreciação das MPs), a PEC do Sarney ou qualquer coisa que possa tratar do assunto", defendeu.

Tensão

O estremecimento da relação entre o Congresso e o Palácio do Planalto chegou ao auge depois da decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de não votar medidas provisórias (MPs) que chegarem à Casa com prazo inferior a sete dias.

Dias antes, o Congresso votou a MP dos Portos em tempo record para que ela não pedesse a validade. Os deputados realizaram a mais longa sessão de votação da história do Congresso: mais de 22 horas. Depois da correria, Renan declarou que não iria mais votar matérias que chegassem a menos de 7 dias no Senado.

Há anos, deputados e senadores reclamam do grande número de medidas provisórias editadas pelo Executivo. Nas MPs, os parlamentares têm menos tempo para discutir as propostas. No caso ds projetos em regime de urgência, que também trancam a pauta depois de 45 dias de tramitação em cada Casa, os parlamentares ampliam as chances de modificar o texto.

* Com Agência Estado e Agência Brasil

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