PMDB usa corte no Orçamento para cobrar cargos no segundo escalão

Por Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Bancada na Câmara reclama de excesso de controle de Dilma, após corte afetar R$ 4,2 bilhões no orçamento de pastas peemedebistas; PAC é objeto de desejo

O contigenciamento de R$ 500 mil no orçamento da vice-Presidência, que fica agora com R$ 4,6 milhões para gastos em 2013, reforçou na bancada do PMDB na Câmara o discurso de que o vice Michel Temer está "no poder mas não tem poder", conforme relato feito por peemedebistas ao iG.

ICMS: A pedido do PMDB, Câmara mantém projeto de perdão da dívida dos Estados

Leia mais: Governo bloqueia R$ 28 bilhões no Orçamento deste ano

O sentimento em relação a Temer chega em meio a uma ofensiva ensaiada pelo vice-presidente para isolar o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Temer escalou o ex-ministro Eliseu Padilha para negociar o restabelecimento da relação entre governo e bancada desde a votação da MP dos Portos.

O esforço de Padilha, contudo, vai encontrar uma base irritada por falta de acesso aos postos no segundo escalão dos cinco ministérios ocupados pelo PMDB.

Jantar do PMDB: Cabral descarta dois palanques no Rio

Aliados: Planalto não entrará em choque com PMDB por causa de MP dos Portos

Os deputados peemedebistas reclamam que o partido controla apenas o posto de ministro nas pastas da Agricultura, Aviação Civil, Minas e Energia, Previdência Social e Turismo. Segundo eles, os cargos abaixo dos ministros são controlados pela presidente Dilma Rousseff. A queixa se aplica à escolha de pessoal técnico para essas posições, dificultando a negociação de projetos.

Corte

O contigenciameno orçamentário anunciado ontem pelo Palácio do Planalto aumentou as queixas dos deputados peemedebistas. Eles receberam do líder, Eduardo Cunha, uma lista com o corte de R$ 4,2 bilhões no orçamento dos ministérios controlados pelo partido, conforme apurou o iG.

A lista municia os deputados com os números que desagradam a bancada. Entre eles, o corte de 47% no orçamento das pastas peemedebistas, que viram a previsão de gastos e investimentos recuar de R$ 9,42 bilhões para R$ 5,5 bilhões. A redução atingiu 76% das verbas do Turismo, que fica agora R$ 693,5 milhões.

No caso da Agricultura, que sofreu redução de 53% na previsão orçamentária (de R$ 3,5 bilhões para R$ 1,7 bilhão), a queixa é por conta da superioridade de recursos mantidos no Ministério do Desenvolvimento Agrário (R$ 2,95 bilhões). Pela primeira vez, a pasta vai ter mais dinheiro que a do agronegócio. 

PAC é desejo

Os cortes reforçam os argumentos do líder Eduardo Cunha, que arrebanhou a bancada em torno da tese de que o partido perdeu importância como membro do governo na transição de Lula para Dilma e, com com isso, deixou de controlar ministérios com orçamentos grandes. O PMDB sente falta, principalmente, de deter uma fatia da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O programa é visto como arma de campanha importante para se manter como maior partidos em número de prefeituras. O sentimento da bancada peemedebistas é a de que aliados menores, como o PP, controlam fatias importantes dos PAC, por meio de ministérios como o das Cidades.

O mesmo vale para o PSB, do governador Eduardo Campos (PE), à frente da pasta de Integração Nacional - apontada como estratégica pela capilaridade que possui, especialmente no Nordeste.

A tensão renovada pelo contigenciamento inibe o avanço de outra ala que começava a ganhar corpo na bancada peemedebista. Essa acredita que Cunha fez bem em forçar a relação com o Planalto, no que seria um ensaio de um novo pacto PT-PMDB para 2014, mas avalia que ele precisa voltar à base, ou seja, diminuir a artilharia contra o Planalto e se reconhecer como parte do governo no qual controla a vice-Presidência.

Leia tudo sobre: pmdborçamentoeduardo cunhamp dos portosmichel temer

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas