Em convenção, PSDB prega mensagem de união para enfrentar Dilma e PT em 2014

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Principal objetivo do encontro, que vai confirmar o senador Aécio Neves na presidência da sigla, é acabar com as divisões partidárias e fortalecer a candidatura ao Planalto

Agência Brasil
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) será confirmado durante a convenção o novo presidente do partido

A convenção nacional do PSDB, marcada para este sábado (18), não só confirmará o senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) na presidência do partido, como também tentará consolidar o discurso de união tucana para concentrar forças no enfrentamento do PT e da presidente Dilma Rousseff em 2014. O objetivo do partido durante o evento é se mostrar recuperado do processo turbulento pelo qual passou depois que parte da cúpula sinalizou na direção de Aécio sem consultar outras alas do partido.

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O movimento na época desagradou, principalmente, a José Serra e a seus aliados. Por isso, a tônica da convenção de hoje é destacar a unidade para tentar demonstrar o sucesso da missão. “A convenção chega como desfecho de um processo exitoso de construção da unidade partidária. A partir de agora, sob a liderança do senador e presidente do partido, Aécio Neves, vamos nos preparar para os embates de 2014”, sintetiza o deputado Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro. E quem teve a chance de conversar com Aécio nos últimos dias pelos corredores do Senado percebeu a preocupação que ele teve em passar uma mensagem de unidade. "O PSDB nunca esteve tão unido desde sua fundação", chegou a declarar Aécio.

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A mensagem de união carrega consigo o claro desejo de encerrar qualquer possibilidade fratricida. O PSDB já viveu isso em passado recente, em 2006 e 2010, e sabe que precisa concentrar suas baterias contra o PT, Lula e Dilma se quiser ter uma chance real de voltar à Presidência da República. Cientes da dificuldade, alguns afirmam reservadamente que a dificuldade é tamanha que sem as candidaturas do governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), e da ex-ministra Marina Silva, que articula a criação da Rede Sustentabilidade, Aécio poderia nem levar a disputa ao segundo turno.

O vai não vai de Serra

Renato S. Cerqueira/Futura Press
Para aparar as arestas, Serra foi contemplado ao eleger aliado para comandar o diretório paulista

A possibilidade de saída de Serra do PSDB foi um capítulo especial nesse espectro. Serra flertou com a possibilidade de aderir ao novíssimo Mobilização Democrática, partido fruto da fusão entre o PPS e o PMN, que ainda aguarda a tramitação burocrática para obtenção de seu registro definitivo.

O ex-governador paulista se sentiu desprestigiado dentro do ninho quando do lançamento do nome de Aécio para a presidência do PSDB e de articulações importantes a partir daí.

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O partido sabia que perder Serra seria um trauma difícil de ser superado, ainda mais às vésperas de um confronto que o próprio partido sabe que será duríssimo, contra a presidente Dilma Rousseff. Por isso, o partido se esforçou para contemplar Serra na eleição do diretório de São Paulo no começo do mês ao escolher Duarte Nogueira para presidir o PSDB paulista.

Por isso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, atuou e conseguiu convencer Pedro Tobias a abandonar a disputa em São Paulo. E também por isso, a preocupação de Aécio em alinhar expectativas com o grupo paulista em encontros com Serra, Alckmin e Fernando Henrique Cardoso. Uma costura que ainda é vista com certa fragilidade.

Para pavimentar uma espécie de acordo com Serra e Alckmin, Aécio aceitou contemplar os paulistas na composição da nova direção. O futuro presidente do PSDB entregou a um aliado de Serra – o deputado Mendes Thame – a secretaria-geral, tida como estratégica dentro da hierarquia partidária. Também assegurou a permanência de outros escudeiros de Serra na Executiva Nacional, como é o caso do ex-vice-governador Alberto Goldman. Tudo com a condição de que os nomes indicados recebessem também um aval prévio de Alckmin.

Bloco paulista

A ida de Serra a Brasília para participar da convenção é apontada pelos tucanos como o fim definitivo da ameaça de saída do partido. "Ele não iria para a convenção se não visse seu espaço e de seus aliados contemplados. Por isso, não faz nenhum sentido pensar que ele ainda pense em deixar o partido depois disso", disse uma deputado federal ligado a Serra.

AE
Sergio Guerra e FHC foram os tucanos que mais defenderam a candidatura de Aécio

Com as conversas ainda em andamento, Serra já dizia a aliados que estava satisfeito com o rumo das negociações. A pessoas próximas, ele comentou ter entendido como um gesto “correto” o fato de Aécio tê-lo procurado para negociar a montagem da direção. Disse ainda considerar que o entendimento era suficiente para garantir sua presença na convenção deste fim de semana. Na semana anterior, Serra dizia não descartar se ausentar do evento, caso não se sentisse contemplado no encontro.

Assim, ficou acertado que um “bloco paulista” do PSDB desembarcaria de uma vez só na convenção. Serra, Alckmin e Fernando Henrique Cardoso devem viajar no mesmo avião para Brasília, para participar do encontro. “O fato de todos chegarem juntos é simbólico”, comentou um tucano. Assim como Aécio, FHC, Alckmin e Serra devem discursar durante a convenção.

Aliados

Apesar da ameaça de perder Serra para o Mobilização Democrática, não há mágoas nesse aspecto. Tanto que a foto do palanque da convenção será reforçada não só por outros líderes tucanos, como também por dirigentes de partidos que se alinharam ao PSDB nas últimas eleições. Já está garantida até mesmo a presença do deputado Roberto Freire (PPS-SP), que está finalizando a criação do MD e, nos últimos meses, esteve por trás da campanha para atrair Serra.

Freire, que também vinha distribuindo sucessivos afagos ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, agora afirma que não poderia estar ausente da convenção. “Estive em todas as convenções do PSDB, não poderia faltar agora”, afirmou o deputado. Até nomes como o do deputado Paulinho da Força, cujo partido pertence oficialmente à base de Dilma, foram convidados. Paulinho, que vem cada vez mais se colocando como opositor de Dilma, não deverá comparecer à convenção. Ele alegou ter outros compromissos previamente agendados.

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