Com direito a ato falho, Serra ignora atritos internos e se concentra no PT

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Ex-governador de São Paulo anunciou seu apoio a Aécio Neves, eleito presidente do PSDB durante convenção do partido

Futura Press
José Serra durante convenção do PSDB: apoio a Aécio

Um desavisado que ouvisse o discurso que o ex-governador José Serra fez durante a convenção do PSDB dificilmente desconfiaria que ele chegou a pensar na possibilidade de deixar o PSDB e tentar um recomeço no Mobilização Democrática, de Roberto Freire. Ao longo dos quase 14 minutos de sua fala, Serra chamou Aécio Neves de "caro presidente" e se concentrou em atingir o PT. Lá pelas tantas, entretanto, cometeu uma gafe, ao propor "resistência a esse bloco democrático". Veja: 

Serra abordou aspectos pontuais de gestão e econômicos ao criticar o PT, mas também usou tom menos técnico em alguns momentos. "Apesar deles espalharem que não somos de nada, eles morrem de medo de nós", disse Serra.

Em determinado momento de sua investida retórica contra o PT, se dirigiu a Aécio. "O PSDB, meu caro presidente Aécio, tem a missão de contribuir para aglutinar e organizar o conjunto de forças sociais e políticas da resistência democrática. Após uma década de poder o PT se julga em condições de avançar no autoritarismo", declarou o ex-governador paulista.

Veja a cobertura da convenção do PSDB:
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Aécio terá de unir as forças partidárias, diz Arthur Virgílio
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Serra também achou uma forma de ironizar ao argumento petista, de que o PSDB é um partido privatista. "O estado brasileiro foi de fato capturado, tomado de assalto, por grupos centrados no PT", afirmou. 

"Fernando Henrique, sabe qual é a pior privatização que poderia acontecer? a privatização do Estado. Aliás, no nosso programa partidário, presidente Aécio Neves, uma questão essencial é:
reestatizar o estado brasileiro, que foi privatizado em função de interesses de natureza partidária, do PT e seus aliados"

Ato falho: fortalecer resistência ao bloco democrático
Durante sua fala, Serra acabou cometendo um ato falho. "Temos a missão de contribuir para construir e fortalecer a resistência a esse bloco democrático, que representa hoje a vanguarda do atraso do Brasil". A platéia confusa, aplaudiu sem entusiasmo. "Vamos aglutinar ao máximo as forças capazes de resistir a esse projeto. E vamos derrotá-lo", continuou Serra.

Talvez o único momento em que Serra deu pistas sobre bastidores que apontavam sua saída do PSDB foi para dizer que quem fala por ele é ele mesmo. "Não tenho porta-voz, não tenho intermediários, não tenho intérpretes. Quem quiser saber o que eu penso, só tem uma fonte confiável: eu mesmo", disse, para emendar um argumento já havia falado em evento organizado pelo PPS de que nunca colocou em sua vida pública a sua paixões a frente a razão.

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