Deputados conseguem audiências com ministros em troca de apoio à medida provisória; Agricultura sinaliza com financiamento do BNDES para genérico veterinário

A estratégia do Palácio do Planalto para votar a MP dos Portos incluiu uma ofensiva por parte de ministros do governo Dilma Rousseff na Câmara para conseguir os votos necessários à aprovação do novo marco regulatorio do setor portuário, conforme apurou o iG .

Alguns ministros circularam pela Câmara prometendo abrir as portas de seus gabinetes para receber deputados com temas pendentes na Esplanada dos Ministérios.

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De manhã: Câmara aprova MP dos Portos

O ministro Antônio Andrade (Agricultura), por exemplo, que visitou a Câmara pedindo apoio da bancada do PMDB à MP dos Portos, aceitou receber uma ala da bancada ruralista para discutir a produção do genérico veterinário. A reunião ocorreu na manhã desta quinta-feira (16), com a presença do deputado César Halum (PSD-TO).

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Os ruralistas afirmam que as multinacionais do segmento de medicamento veterinário estão dificultando a produção de genéricos para animais. Os laboratórios estariam resistindo nos bastidores do Ministério da Agricultura para manter as patentes de medicamentos que movimentam hoje um mercado de cerca de R$ 19 bilhões por ano.

A produção de genéricos foi autorizada em julho de 2012, após a presidente Dilma promulgar lei do Congresso cuja tramitação na Câmara e no Senado demorou quase dez anos para vencer o lobby da indústria veterinária.

Crédito BNDES

O ministro Andrade acertou ao final do encontro que vai negociar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a criação de uma linha de financiamento especial para tirar o genérico veterinário do papel. "Esse pedido vai sair como uma ação de governo, o que vai facilitar o financiamento", diz Halum.

Segundo a assessoria do Ministério, parte do custo maior nesse momento será no chamado "estudo de bioequivalência" - ou seja, os exames necessários para testar se a eficiência do genérico será igual à do medicamento tradicional.


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