Comissão da Verdade tenta mobilizar jovens e já fala em relatório multimídia

Por Wilson Lima - iG Brasília |

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Além de elaborar um livro de até 400 páginas com informações sobre a ditadura, órgão prepara material multimídia na voz de Chico Buarque

Mesmo que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) ainda esteja em fase de levantamento de informações, uma parte da equipe já trabalha pensando na elaboração do relatório final do órgão. Inicialmente, a comissão teria dois anos para concluir o relatório final. Mas a expectativa é que a CNV ganhe mais seis meses para isso.

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O relatório final, conforme informações de membros da Comissão, terá entre 300 e 400 páginas. Esse livro deve ser redigido pelo escritor José Almino Alencar. Além desse documento, o relatório da Comissão Nacional da Verdade contará ainda outros dois elementos: um arquivo digital com documentos sobre o regime e uma plataforma multimídia, com informações relacionadas ao período militar.

Essa plataforma, tida como um instrumento didático, é vista pela CNV como uma forma de atrair a atenção dos mais jovens para a história do Brasil. A expectativa é de que a narração dessa plataforma com informações sobre os anos de chumbo seja feita por grandes nomes da MPB, como o cantor e compositor Chico Buarque.

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Somente a linha do tempo nessa plataforma multimídia deve ter aproximadamente dez horas de gravações. Além da história do Brasil narrada por nomes como Chico Buarque, esse material terá trechos de programas e canções da época.

A ideia, neste momento, é disponibilizar pelo menos seis meses para a confecção desse material. Antes da prorrogação do prazo de conclusão da CNV, a expectativa é de que o livro com as principais informações dos trabalhos do órgão comece a ser escrito em janeiro do ano que vem. Agora, o plano é de dar início a esta etapa apenas em maio de 2014.

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Em sua fase de implementação, a CNV pensou em criar uma espécie de Wikipedia da ditadura, disponibilizando um sistema aberto de alimentação de dados que ajudaria nas investigações. Mas, durante as reuniões, os membros da comissão perceberam que esse sistema aberto poderia prejudicar o levantamento de informações. Isso porque, algumas pessoas poderiam disponibilizar dados falsos ou com procedência duvidosa no sistema.

Às vésperas de completar um ano de atuação, a CNV prepara um relatório parcial com as principais realizações no período. Nesse primeiro ano, aproximadamente 220 pessoas já foram ouvidas e a expectativa é que outras 250, entre civis e militares, também prestem algum tipo de informações. Já foram analisados aproximadamente 20 milhões de documentos.

Até o momento, as únicas publicações feitas pela Comissão da Verdade são os textos divulgados pelo ex-procurador-geral da República Cláudio Fontelles, um dos membros do órgão. O material começou a ser publicado no final do ano passado, o que coincidiu com a intensificação dos procedimentos investigatórios.

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